Pesquisadores discutem importância da especialização profissional

No dia 29 de junho, evento debate a necessidade do diálogo de ensino e pesquisa com as práticas profissionais

Por - Editorias: Universidade
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Público durante a primeira discussão sobre as grandes áreas do conhecimento – Foto: Leonor Calasans/IEA

A discussão iniciada em abril deste ano sobre a divisão do conhecimento em ciências exatas, biológicas e humanas será aprofundada em um novo seminário, no dia 29 de junho, às 14 horas, no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, em São Paulo.

Agora, os organizadores querem tratar dos atributos profissionais, ou seja, do diálogo de ensino e pesquisa com as práticas profissionais. O objetivo é dar destaque à importância da pós-graduação profissional, bem como dos saberes práticos. O debate será transmitido ao vivo pelo site do IEA. Para participar presencialmente, é necessário realizar inscrição prévia.

“Discutiremos a valorização, nas mais diversas áreas do conhecimento – medicina, odontologia, música, teatro, educação física etc. –, das qualidades profissionais, da performance e das capacidades psicomotoras”, explica o músico Rubens Russomano Ricciardi, fundador do curso de Música na USP, em Ribeirão Preto, e coordenador do encontro. As capacidades psicomotoras são práticas corporais além das intelectuais ou, em latim, mente manuque.

Além de Ricciardi, participarão do seminário (Re)discussão Sobre as Grandes Áreas do Conhecimento (2° encontro) o músico Aloysio Fagerlande, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o médico Euclydes Fontegno Marques, do Hospital das Clínicas da FMUSP, o engenheiro Luiz Bevilacqua, professor visitante do IEA e Professor Emérito da UFRJ, o educador físico Marcelo Papoti, professor da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto (EEFERP) da USP, e o médico Wilson Roberto Navega Lodi, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

Primeiro encontro

A discussão sobre a divisão das áreas do conhecimento, realizada no dia 13 de abril, desdobrou-se em alguns temas. De acordo com Ricciardi, os participantes concluíram que é necessário lutar pela manutenção e aperfeiçoamento, nas universidades públicas, dos cursos de estudos culturais, as chamadas humanidades (história, sociologia, geografia, antropologia, pedagogia etc.), bem como as artes.

Ele relata que o grupo também considerou que os critérios de avaliação de desempenho nas ciências da natureza não devem ser generalizados forçosamente, nem transportados às demais áreas do conhecimento. Da mesma forma, os critérios de internacionalização não devem ofuscar, nem tirar os méritos dos trabalhos de abrangência regional. Deve-se levar em consideração também o impacto social, além dos impactos de pesquisa.

Em relação às linhas de gestão nas universidades públicas, os pesquisadores criticaram os rankings internacionais de avaliação e classificação, por estarem não raramente atrelados a interesses estranhos à vida acadêmica e profissional. Quando se tornam critério protagonista e generalizado para todas as áreas do conhecimento, o chamado “produtivismo de papers” e seus fatores de impacto também recebem críticas.

Enquanto métrica referencial para a avaliação do desempenho acadêmico, criticou-se a priorização da lógica da quantidade estatística generalizada em detrimento das singularidades qualitativas, conta Ricciardi. Segundo ele, para além do Manifesto de Leiden, que aborda restritamente a questão da avaliação na pesquisa, há que se levar em consideração também os contextos das áreas de atuação profissional na Universidade. “Os participantes das áreas da educação física e artes foram unânimes na sinalização de que a essência de suas áreas de atuação, atreladas à performance e às práticas profissionais, não é ainda devidamente reconhecida pela Universidade”, explica.

Serviço

(Re)discussão Sobre as Grandes Áreas do Conhecimento (2° encontro)
29 de junho, 14 horas
Gratuito, com inscrição prévia
Sala Alfredo Bosi, no IEA – Rua da Praça do Relógio, 109, térreo, Cidade Universitária, São Paulo
Transmissão ao vivo pela web

Fernanda Rezende/ Comunicação IEA

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