Superintendência de Tecnologia da Informação lança novas ferramentas para inclusão digital

Os recursos são fruto de parcerias com a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento, Superintendência de Comunicação Social, Governo do Estado e diversas instituições de ensino e acolhimento

 25/04/2024 - Publicado há 2 meses     Atualizado: 02/05/2024 as 12:41
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Cerimônia de lançamento do software Digitavox-USP e do Jornal da USP com Acessibilidade Digital, na Sala do Conselho Universitário – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

A Superintendência de Tecnologia da Informação (STI) da USP lançou dois novos softwares para ampliar a inclusão digital e o acesso a conteúdos e serviços produzidos na Universidade, em uma cerimônia realizada no dia 24 de abril, na Sala do Conselho Universitário, no prédio da Reitoria, em São Paulo.

O primeiro desses lançamentos é o pacote de recursos on-line, fruto da parceria da STI com a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) e a Superintendência de Comunicação Social (SCS), para garantir a acessibilidade dos usuários às páginas do Jornal da USP.

A ferramenta, que fica no canto superior direito da tela, oferece recursos para o acesso do conteúdo do jornal para pessoas cegas, com baixa visão, com distúrbio de habilidades motoras, daltonismo, epilepsia, TDAH [transtorno do déficit de atenção com hiperatividade], dislexia e deficiência. A proposta, segundo a STI, é expandir o sistema para os demais sites e plataformas digitais da Universidade.

O analista de comunicação da SCS e especialista em tecnologia da informação, George Campos, que participou do projeto, explicou que “a parceria com a STI resultou em melhora significativa para que todos os usuários possam acessar e interagir com o conteúdo de forma eficaz. A implementação de recursos acessíveis, como descrições de imagens para usuários com deficiência visual e diversas outras adaptações para leitores de tela, amplia o alcance do público e promove a igualdade de oportunidades e o respeito à diversidade”.

Na cerimônia, o aluno da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Marcelo Mikley, que tem deficiência visual, bolsista do projeto e um dos responsáveis pelas especificações e validações das funcionalidades digitais, teve a oportunidade de apresentar as novas ferramentas inseridas no site do jornal, que são capazes de descrever os textos e imagens presentes na página. “Para mim, é uma novidade saber que essas matérias vêm acompanhadas de imagens. Sem essa descrição possibilitada pelo recurso, eu nunca teria esse conhecimento”, comentou o estudante (clique aqui e assista ao vídeo produzido pela STI sobre o tema).

(Da esq. p/ dir.) George Campos, da Superintendência de Comunicação Social (SCS), e Anderson de Oliveira, Rodrigo Moreira e o professor João Eduardo Ferreira, da Superintendência de Tecnologia da Informação – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Curso de digitação

Outro lançamento apresentado pela STI foi o Digitavox USP, uma ferramenta para treinamento do uso do teclado do computador por pessoas com deficiência visual, que oferece um curso de digitação com passo a passo e respostas geradas por um sintetizador de voz. O aplicativo foi baseado no software original desenvolvido por Neno Henrique da Cunha Albernaz, em seu mestrado desenvolvido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O Digitavox USP é um curso de digitação voltado principalmente para pessoas com deficiência visual que, por meio da fala, orienta e guia o usuário em exercícios de digitação em um teclado padrão ABNT2. É possível acompanhar o progresso ao longo do curso com estatísticas de acertos e tempos de respostas. A nova versão do aplicativo foi desenvolvida pela STI com tecnologias atualizadas de vocalização e multiplataformas.

A equipe de computação móvel da STI, coordenada pelo professor da Escola Politécnica (Poli), Jun Okamoto, foi responsável pela portabilidade do programa, tornando-o executável nas plataformas para tablets e smartphones, e disponível para baixar nas lojas de aplicativos Android ou iOS.

O professor da Faculdade de Odontologia (FO), Paulo Capel, um dos idealizadores do projeto, que organizou e coordena as atividades de especificação, validação e testes das funcionalidades digitais da ferramenta junto às instituições de apoio ao deficiente visual, apresentou as funcionalidades do aplicativo. Segundo ele, que convive com a deficiência visual há alguns anos, “essa ferramenta é um dos passos iniciais essenciais para permitir a inclusão digital dos deficientes visuais”.

A produção e validação deste aplicativo envolveram parcerias com a PRIP, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo e instituições como o Lar das Moças Cegas e a Bengala Verde, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Federal de Santa Maria (clique aqui e assista ao vídeo produzido pela STI sobre o tema).

Integração social

Na cerimônia de lançamento dos novos recursos de inclusão, o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, destacou que “essas novas tecnologias desenvolvidas na USP representam uma evolução na forma com que lidamos com as pessoas com deficiência. Nós estamos adaptando cada vez mais nossas ferramentas e estruturas, físicas e virtuais, para que nenhum de nossos alunos, docentes ou funcionários sinta-se prejudicado ou incapacitado para realizar alguma atividade”.

O superintendente de Tecnologia da Informação (STI), João Eduardo Ferreira, ressaltou que “com o apoio da Reitoria, das instituições que acolhem e apoiam os deficientes visuais, da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, do Neno Albernaz e do professor Paulo Capel, pudemos ampliar a inclusão no meio digital. A STI fez uma reengenharia da versão inicial com novas tecnologias e novas funcionalidades. Foi uma união entre os especificadores da informação, esforço técnico e integração social”.

O secretário dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Marcos da Costa, destacou a importância da iniciativa da USP e reafirmou a relevância dessas parcerias entre a instituição e o Governo do Estado. “Estamos muito felizes em poder auxiliar a Universidade nessa caminhada rumo à inclusão e ao acolhimento das pessoas com diferentes deficiências, fazendo com que elas sejam cada vez mais acolhidas em todos os espaços na sociedade”, afirmou.

O aluno da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Marcelo Mikley, que tem deficiência visual, é bolsista do projeto e um dos responsáveis pelas especificações e validações das funcionalidades digitais, teve a oportunidade de apresentar as novas ferramentas inseridas no site do jornal, Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

* Estagiária sob a supervisão de Adriana Cruz


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