Exposição na USP propõe jornada para conhecer “pequenos notáveis” que sustentam toda a vida no oceano

Gratuita e aberta a todas as idades, exposição no Museu do Instituto Oceanográfico da USP apresenta histórias de minúsculos seres marinhos que ajudam a equilibrar o clima do planeta; mostra é itinerante e pode ser sediada por organizações

 Publicado: 27/06/2024     Atualizado: 01/07/2024 as 17:49

Exposição Pequenos Notáveis sobre microorganismos aquáticos - Fotos: Kenzo Omaki/IO USP

Você já se perguntou sobre o mundo que existe além da superfície do oceano, um reino onde a vida se desenrola em uma escala microscópica? A exposição Pequenos Notáveis: Histórias dos Seres Microscópicos que Sustentam Toda a Vida no Oceano, em cartaz até o dia 19 de julho, no Museu Oceanográfico da USP,  no bairro do Butantã, em São Paulo, convida a todos a mergulhar nesse universo incrível e, muitas vezes, invisível. Aberta a todas as idades, a exposição educativa revela a importância dos microrganismos marinhos, destacando sua importância no equilíbrio dos ecossistemas oceânicos. 

Com curadoria de Gabriel Monteiro, a exposição é fruto de sua formação como jornalista científico, após seu curso de mestrado no Instituto Oceanográfico (IO) da USP, e está alinhada com os dois principais movimentos globais na preservação do Oceano: A Década do Oceano e o ODS 14 (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas). Como ele lembra, uma das premissas da preservação ambiental é que se deve, primeiro, conhecer e valorizar para então conseguir engajamento concreto para a preservação. “Esta é a missão da exposição Pequenos Notáveis: apresentar todo um universo de seres marinhos microscópicos que são responsáveis pela sustentação de toda a vida no oceano e equilíbrio do clima planetário”, destaca Monteiro.

A exposição reúne, além de painéis explicativos, os próprios organismos sob microscópio para que as pessoas percebam seu tamanho real. “Boa parte do público tem contato com esse tipo de equipamento pela primeira vez durante a exposição, e é sempre uma satisfação ver a expressão de surpresa e fascínio em pessoas de todas as idades”, destaca a professora Cláudia Namiki, uma das responsáveis pelo projeto.  

Gabriel Monteiro, curador da exposição, é biólogo, mestre em ciências e comunicador científico; Claudia Namiki (à esquerda) é pesquisadora do IO, e Fabiane Gallucci é pesquisadora do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar-Unifesp), ambas da equipe responsável pelo projeto - Fotos: Kenzo Omaki/IO USP

A mostra é acessível para pessoas cegas e pessoas surdas. Todos os painéis contam com audiodescrição e todos os vídeos contam com intérpretes em Libras, como explica o curador. Além das informações impressas, cada painel carrega um QR code que leva para um vídeo do pesquisador ou pesquisadora que estuda aquele grupo. “A diversidade é um valor transversal deste projeto, que se reflete não somente na distribuição geográfica dos centros de pesquisa mas também nas falas registradas: foram entrevistados professores, doutores, mestres e graduandos; homens e mulheres; diferentes faixas etárias; e diferentes nacionalidades”, explica Monteiro, complementando que essa diversidade de falas acompanha a enorme diversidade de organismos que encontramos no microcosmo marinho dos Pequenos Notáveis. É possível acessar os vídeos na Playlist do Youtube da Exposição. Confira dois exemplos nos players abaixo:

A exposição

Dividida em três setores, a exposição apresenta na primeira sessão o mundo dos produtores primários, seres fotossintetizantes que desempenham um papel vital na produção de oxigênio e na manutenção da teia alimentar. Esses organismos minúsculos têm um impacto monumental na atmosfera e na pesca. A segunda sessão mergulha no intrigante mundo do zooplâncton, destacando sua importância na renovação de populações marinhas e na complexa teia alimentar. O público ficará diante de verdadeiros nômades dos oceanos, cujas jornadas influenciam a vida marinha em escalas surpreendentes. 

Na terceira sessão, são exploradas as profundezas do assoalho marinho, onde seres bentônicos desempenham papéis cruciais na decomposição de matéria orgânica e na estruturação de habitats. Esses organismos revelam-se como verdadeiros engenheiros do oceano, moldando ecossistemas que sustentam a diversidade marinha. Ao final da jornada, os visitantes são convidados a refletir sobre a interconexão invisível que sustenta a vida marinha e a importância da ciência na compreensão dos ecossistemas oceânicos.

Diatomáceas: artistas microscópicas do mar

Dinoflagelados: aliados dos corais

Cocolitoforídeos: construtores marinhos

Coépodos: os pequenos gigantes dos oceanos

Navegantes do plâncton: o caminho da transformação

Quetognatos: predadores que mantêm o equilíbrio oceânico

Macrofauna bentônica: engenheiros do fundo do mar

Foraminíferos: jóias marinhas

Arqueas metanogênicas: recicladoras submarinas

Fotos: Divulgação/IO USP

Preservação dos oceanos

Segundo Monteiro, histórias de baleias, tartarugas e peixes são facilmente encontradas em museus e aquários ao redor do mundo, no entanto, são pouquíssimas as iniciativas da ciência em divulgar esses minúsculos, porém importantíssimos, seres para o grande público. “Foi daí que decidimos criar a narrativa dos Pequenos Notáveis envolvendo mais de 24 pesquisadores de quatro grandes universidades brasileiras: USP, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal do Paraná (UFPR), com coordenação científica de pesquisadores do Instituto Oceanográfico da USP e do Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação (Cenpes) Petrobras”, informa.
 
“Como curador, tive o desafio de articular muitos grupos de pesquisa do Sul e Sudeste e, mais que isso, fazer com que os próprios pesquisadores fossem protagonistas na criação de uma narrativa lúdica e envolvente para apresentar os Pequenos Notáveis. A ciência e as pessoas da academia têm muito conhecimento para compartilhar. Mais do que nunca, precisamos criar pontes e meios para que esse diálogo se construa. Uma exposição fotográfica é um desses meios para aproximar o grande público da ciência e para despertar para a necessidade de preservarmos toda a vida no oceano, inclusive as que não conseguimos ver a olho nu”,  conta Monteiro.
 

Visitante da exposição itinerante - Fotos: Kenzo Omaki/IO USP

A exposição convida tanto o público a participar ativamente da construção de um futuro mais sustentável quanto organizações que possam abrir suas portas para a exploração do microcosmo marinho, contribuindo para a conscientização sobre a importância da preservação dos oceanos e da vida marinha. “Nossa ideia é levar esta exposição a todos que queiram recebê-la, principalmente locais que permitam a participação de um público diverso”, afirma Cláudia.  Além disso, como lembra a professora, essa exposição é uma oportunidade para os alunos da USP participarem de atividades de extensão, imprescindíveis para sua formação.

Equipe de pesquisadores do IO, Unifesp e Cenpes Petrobras que participaram do Projeto Santos: à frente, da esquerda para a direita: Gabriel Monteiro, Thais Corbisier, Silvia Helena Sousa, Claudia Namiki, Priscila Reis, Fabiane Gallucci. Atrás, da esquerda para a direita: Gustavo Fonseca, Daniel Moreira, Mauricio Fonseca, André Bueno, Frederico Brandini e Marco Antônio - Foto: Kenzo Omaki/IO USP

A mostra integra o Projeto de Caracterização Regional da Bacia de Santos (PCR-BS), realizado com apoio da Petrobras, e é itinerante. A exposição já esteve no Sesc Bertioga e no Centro de Pesquisa da Petrobras (Rio de Janeiro), e depois do Museu Oceanográfico segue para a Galeria Olido, no Centro Histórico de São Paulo, com inauguração prevista para a última semana de julho.
 
Pequenos Notáveis: Histórias dos Seres Microscópicos que Sustentam Toda a Vida no Oceano
Data: até 19 de julho, de segunda a sexta, de 9h às 17h
Local: Museu Oceanográfico (Praça do Oceanográfico, 191, Butantã, São Paulo)
Gratuito

Organizações que tiverem interesse em sediar a exposição itinerante podem entrar em contato com as professoras responsáveis pelo projeto: Cláudia Namiki namiki@usp.br; Fabiane Gallucci fgallucci@unifesp.br; e Silvia Helena de Mello e Sousa smsousa@usp.br 


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