Martin Buber, “filósofo do diálogo”, é tema de evento na USP

Encontro acontece no dia 25 de junho, segunda-feira, às 14 horas, no Instituto de Estudos Avançados (IEA)

Por - Editorias: Cultura
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Martin Buber – Foto: The David B. Keidan Collection / Domínio Público via Wikimedia Commons

O Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP realiza na próxima segunda-feira, 25 de junho, o debate Diálogo e Intersubjetividade em Clínica: Contribuições da Filosofia de Martin Buber. No evento, o professor aposentado da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) José Maurício de Carvalho passa em revista o pensamento do intelectual judeu nascido na Áustria.

Carvalho é autor de Martin Buber – A Filosofia e Outros Escritos Sobre o Diálogo e a Intersubjetividade, livro de introdução ao pensador. Ponto de partida da discussão que acontece no IEA, a obra percorre a trajetória do filósofo com atenção especial às suas reflexões sobre diálogo e intersubjetividade.

Martin Buber nasceu em 1878, em Viena. Foi professor de Filosofia da Religião e Ética Judaica na Universidade de Frankfurt, na Alemanha, entre 1924 e 1933. Fugindo da perseguição nazista, partiu para a Palestina em 1938, ingressando na Universidade Hebraica, onde se dedicou à filosofia social e à sociologia da religião.

Seu livro mais conhecido é Eu e Tu, publicado em 1923. No volume, Buber apresenta sua concepção das relações, baseada nos pares Eu-Tu e Eu-Isso. Enquanto o Tu abarcaria tudo que não pode ser objetivado ou esgotado pela consciência, o Isso diria respeito à experiência da objetificação.

“Todo verdadeiro viver nasce no encontro, no entre o Eu e o Tu”, explica Carvalho sobre o pensamento do filósofo. “Para Buber, quando se fala Tu ou Isso, pronunciam-se palavras-princípios, que resumem todas as relações do homem com o entorno.”

Essa opção pelo diálogo encontrou coerência inclusive nas ações políticas de Buber: advogando a favor da coexistência entre árabes e judeus, o pensador foi um crítico da forma de constituição do Estado de Israel, onde morreu em 1965.

Segundo Carvalho, a contribuição e importância de Buber para o pensamento ocidental podem ser resumidas em quatro temas. Há em sua obra, em primeiro lugar, reflexões filosóficas sobre a vida, pensada a partir de um entendimento das relações inspirado na fenomenologia. Também percorre seu trabalho uma filosofia social articulada em um núcleo primitivo e aglutinador da comunidade vinculada a uma ética humanista.

Os outros dois eixos que o professor destaca na obra do filósofo envolvem sua importância para a interpretação das lendas hassídicas – ramo do judaísmo ligado ao misticismo – e para os estudos dos textos históricos, como os da Bíblia.

Capa do livro Martin Buber, a Filosofia e Outros Escritos Sobre o Diálogo e a Intersubjetividade, de José Maurício de Carvalho

Esse conjunto é o que representa o legado de Buber, de acordo com Carvalho. “Ele somente falará ao homem do Ocidente porque conheceu sua tradição filosófica e a usou para tecer seu pensamento.”

As aplicações práticas de suas ideias também ganharão espaço no seminário, conforme seu próprio título indica. “Vamos mostrar como as contribuições de Buber sobre a ontologia das relações ajudaram a pensar as relações humanas na clínica médica ou psicológica, trazendo para a prática aquilo que ele descreveu filosoficamente”, antecipa o professor.

Juntam-se a Carvalho no debate o diretor do IEA e professor da Faculdade de Medicina da USP Paulo Saldiva e Liana Gottlieb, do Instituto Interseção. A mediação será de Monica Aiub, da editora FiloCzar.

O evento Diálogo e Intersubjetividade em Clínica: Contribuições da Filosofia de Martin Buber acontece no dia 25 de junho, segunda-feira, às 14 horas, no auditório do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP (Rua da Praça do Relógio, 109, Cidade Universitária, em São Paulo). Entrada grátis, sem necessidade de inscrição. Haverá transmissão pela internet em www.iea.usp.br/aovivo.

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