Doença respiratória causada por poluição tem distribuição democrática

Bairros nobres apresentam carga de poluentes e mortes por problemas respiratórios semelhantes aos de menor renda

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Os 15 distritos de São Paulo com maior mortalidade oriunda de doenças respiratórias estão entre os 20 mais poluídos da capital — são 96 no total. A informação é de Pedro Luiz Côrtes, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP. Ele cruzou dados levantados no Mapa da Desigualdade Social de 2019 da Rede Nossa São Paulo. Além disso, dos 30 bairros com mais mortes por problemas cardíacos, dez estão entre os campeões em poluição.

A relação entre poluição e doenças respiratórias é uma antiga conhecida. Apesar de apontados no Mapa da Desigualdade Social, os problemas de saúde estão bem distribuídos. Entre os bairros afetados estão Alto de Pinheiros, Vila Mariana, Campo Belo, cuja renda é consideravelmente elevada. “Já é algo conhecido há muito tempo, mas é importante referendar e alertar essa distribuição democrática em São Paulo”, diz o especialista ao Jornal da USP no Ar.

No Campo Belo, a expectativa de vida alcança os 88 anos. Em Cidade Tiradentes, no extremo leste, mal chega aos 55, ainda que ambos sofram com o ar de baixa qualidade da mesma maneira.

Na capital paulista, incentivar o uso do transporte público é uma maneira efetiva de combater a poluição por meio de investimento. Um ônibus, por comportar vários passageiros, emite menos poluentes que um carro individual por trajeto. Fora que Metrô e trem são alimentados por matriz elétrica — de fonte limpa e renovável no Brasil. De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a carga de poluentes já diminuiu em razão da modernização da frota veicular paulistana.

O efeito da degradação do meio ambiente na saúde humana é pesquisado há quase 60 anos, de acordo com Côrtes. Começou em dezembro de 1952, com o evento conhecido como big smoke. O uso de carvão para geração de energia e calefação em Londres ocasionou um grande nevoeiro, que chocou a população. A análise desse fenômeno se tornou importante publicação na revista Lancet, impactando políticas públicas na Inglaterra e no mundo.

Ouça a entrevista na íntegra no player acima.


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