Contra o obscurantismo, exposição ressalta elo entre ciência e desenvolvimento

Mostra fotográfica itinerante da Fapesp está no Instituto de Física destacando a presença da produção científica e tecnológica do Estado de SP, da Amazônia à Suíça

Um dos projetos expostos, a Torre Atto colhe informações para estudos sobre o bioma amazônico e o clima global – Foto: Divulgação / Ascom Inpa

Foi inaugurada e fica até o dia 2 de outubro no Instituto de Física (IF) da USP a exposição Pesquisa é Desenvolvimento. Organizada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a mostra fotográfica itinerante homenageia a produção científica e tecnológica dos pesquisadores paulistas e ressalta sua contribuição para o desenvolvimento social e econômico.

“Sediar esta exposição representa também um grito pela ciência, pelo desenvolvimento e contra o obscurantismo, tarefa que precisamos perseguir todos os dias. Além de executar nossas pesquisas com competência e seriedade, temos que nos convencer da necessidade de divulgar nossas conquistas em todos os níveis, desde congressos e literatura especializada, até em exposições como essa”, afirmou no evento de abertura nesta segunda-feira (16) o professor Manfredo Tabacniks, diretor do IF.

Ao ressaltar a importância do apoio da Fapesp, desde a década de 1960, para as pesquisas no Estado de São Paulo, Tabacniks lembra que ele mesmo foi bolsista da agência financiadora há 40 anos. De acordo com o físico, atualmente a Fapesp investe em pesquisa no Instituto de Física cerca de 14 milhões de reais anualmente, na forma de bolsas de estudo ou financiando projetos. “O ininterrupto apoio da Fapesp é certamente um dos fatores que tornaram o IF um dos mais importantes centros de pesquisa em Física no Brasil”, celebrou ele.

Manfredo Tabacniks (à esq.), diretor do IF: grito pela ciência e pelo desenvolvimento. À direita, o presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago, que relembrou as funções da Universidade – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Em relação à mostra, Tabacniks afirmou que essa é uma das formas de comunicar não só para os estudantes, mas para o público em geral que visita a Universidade, “o que nós fazemos e onde nossos trabalhos impactam. É uma exposição em painéis, bonita e com uma linguagem muito simples, que mostra que a gente faz pesquisa e que essa pesquisa oferece um resultado interessante para a sociedade”, disse ao Jornal da USP.

Em sua fala, o presidente da Fapesp, professor Marco Antonio Zago, lembrou que a exposição começou sendo apresentada na Assembleia Legislativa de São Paulo. E para dizer por que uma iniciativa como essa tem tudo a ver com a USP e com a Fapesp, resgatou o decreto de fundação da USP, de 1934. “É uma lição sobre o que é e para que serve uma universidade, e que seria muito bom que as pessoas lessem para saber que universidade não é apenas uma escola para formar médicos, advogados e engenheiros”, disse, destacando o seguinte item: realizar a obra social da vulgarização das ciências, das letras e das artes. “Uma das funções da Universidade é a divulgação da ciência, fazê-la chegar até os cidadãos.” Da mesma forma, lembra Zago, a lei que institui a Fapesp define entre suas finalidades promover a divulgação dos resultados científicos, algo fundamental, “principalmente em dias como os atuais, em que o obscurantismo, como disse o professor Tabacniks, ameaça o uso da ciência na promoção do progresso, e em que as pessoas começam a acreditar em coisas que não têm a ciência como fundamento”.

Os painéis, disse o ex-reitor da USP, mostram pesquisas promovidas pela Fapesp que envolvem todas as áreas do conhecimento, inclusive a ambiental. “Nestes dias meio cinzentos em que as verdades ficam um pouco encobertas por opiniões, convém lembrar que, no mundo todo, a Fapesp é a agência que mais promove e apoia a pesquisa na região amazônica. Os maiores recursos não vêm de nenhum outro fundo – apesar de serem todos muito bem-vindos. São mais de 2.500 projetos de pesquisa na Amazônia, e mais de 2.300 sobre mudança climática”, exemplificou.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fapesp, disse que é uma satisfação para a fundação “poder divulgar isso em larga escala para públicos maiores, de leigos a tomadores de decisão. Entre nossas atribuições está mostrar que a ciência pode ter um papel muito importante em melhorar a qualidade de vida, o desenvolvimento econômico, e ter também impacto no avanço do próprio conhecimento”.

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Dois projetos expostos e que têm a participação do IF foram destacados em palestras na abertura da exposição. Um deles é um dispositivo usado nas instalações do Large Hadrons Collider (LHC), um grande experimento científico internacional da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern). “O chip Sampa é um circuito eletrônico desenvolvido aqui no Brasil, no IF em parceria com a Poli, e utilizado em um detector do LHC, em Genebra, para controlar a aquisição de dados. Ele se mostrou tão útil que estão querendo adotar em outras estações”, disse Manfredo Tabacniks. Federico Antinori, spokesperson do projeto Alice, um dos grandes detectores do LHC, falou da importância do chip Sampa para gerar informação a partir do imenso volume de dados gerados nos experimentos do LHC , da ordem de terabytes.

O  Observatório de Torre Alta da Amazônia – torre Atto – , que tem a participação do Laboratório de Física Atmosférica do IF, foi apresentado pela professora Luciana Rizzo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A torre de 325 metros, maior que a torre Eiffel, fica no meio da floresta amazônica e monitora partículas na atmosfera, trazendo dados para pesquisas que podem prever o futuro do Planeta, além de deixar clara a importância da floresta preservada para a recaptura de carbono, minimizando o efeito-estufa e as mudanças climáticas.

Inovação da saúde à energia

Entre os projetos apresentados nos painéis estão o desenvolvimento da primeira vacina brasileira contra a dengue. Em fase de testes finais, a pesquisa é feita pelo Instituto Butantan com apoio do Programa Fapesp Pesquisa para o SUS, em parceria com a Secretaria da Saúde de São Paulo, o Ministério da Saúde e o CNPq.

Outro painel apresenta um programa de assistência a idosos com depressão. Cuidados em domicílio ocasionaram melhora em 87% dos casos, chegando a reverter o quadro. Trata-se de pesquisa do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e da London School of Hygiene & Tropical Medicine, com apoio da Fapesp e do Medical Research Council, do Reino Unido.

Parte da mostra dedica-se a mostrar inovações sendo feitas por universidades e empresas apoiadas pela Fapesp, inclusive em parceria com órgãos públicos. Entre elas, o trabalho de pesquisadores do Centro de Pesquisa para Inovação em Gás (RCGI, da sigla em inglês) que investigam a possibilidade de abrir cavernas para estocar gás natural com alto teor de CO2 na camada de sal que recobre os reservatórios do pré-sal.

O reitor da USP Vahan Agopyan, presente na abertura da mostra – Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Carlos Américo Pacheco, diretor do CTA Fapesp – Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Luciana Rizzo, docente da Unifesp – Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Federico Antinori, spokesperson do Alice/Cern – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Este e outros projetos estão na exposição, que é aberta ao público e pode ser visitada das 9 às 17 horas, de segunda a sexta-feira, no saguão do IF (Rua do Matão, 1.371, Cidade Universitária, São Paulo).

Mais informações: e-mail comunica@if.usp.br

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