Transtornos sexuais, apesar de tabu, possuem tratamento

Segundo especialista, pessoas com transtornos demoram, em média, sete anos na busca de ajuda

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Na classificação internacional das doenças, o comportamento sexual compulsivo – quando o indivíduo passa a ter prejuízos em vários âmbitos de sua vida pelo modo como se comporta sexualmente – é considerado um transtorno. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, o dr. Marco Scanavino, coordenador do Ambulatório de Impulso Sexual Excessivo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP, falou sobre os transtornos, que possuem tratamento.

Ele esclarece as diferenças entre o impulso sexual excessivo, a pedofilia e os abusos sexuais: a pedofilia é um transtorno parafílico, pois são comportamentos não tradicionais. Casos de abuso sexual não são considerados transtornos, pois não são praticados apenas por quem tem algum problema de saúde mental.

Sobre o trabalho no ambulatório, o doutor explica o perfil de quem procura ajuda: a grande maioria das pessoas vai por conta própria, e a média de tempo, entre o início do transtorno e a busca pelo tratamento, é de sete anos. A avaliação é feita de forma muito abrangente, analisando os quadros psiquiátrico, psicológico, de personalidade e contando com avaliações neuropsicológica e clínica. Ele ressalta a importância de se divulgar a existência de uma avaliação, pois há tratamento e a pessoa pode conseguir retomar sua vida.

O tratamento é realizado através de medicação e psicoterapia. A medicação é importante para se ter um resultado mais rápido. Alguns medicamentos antidepressivos ajudam a pessoa a se sentir melhor e equilibra seu comportamento sexual. A psicoterapia visa a ampliar a consciência do paciente sobre seu problema e também sua percepção sobre gatilhos que desencadeiam buscas por esse comportamento, auxiliando-o a entender melhor quais aspectos da vida dele se correlacionam com essa manifestação sexual exacerbada, como conflitos ou vivências do passado. No site do Ambulatório de Impulso Sexual Excessivo é possível ter mais informações.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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