Poluição luminosa pode causar problemas de saúde

Segundo especialista, o uso da luz veio com o desenvolvimento, mas seu consumo deve ser racional

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Com as invenções da eletricidade e das primeiras iluminações públicas, no século 19, o mundo nunca foi tão iluminado (artificialmente). Em decorrência desse fato, um terço da população mundial não pode ver a Via Láctea devido à poluição luminosa produzida nos países mais desenvolvidos pelas luzes artificiais. Essa constatação está em um atlas produzido por cientistas da Itália, Alemanha, Estados Unidos e Israel e publicado pela revista Science Advances. E para esclarecer mais sobre esse tipo de poluição pouco abordado, o Jornal da USP no Ar conversa com professor Enos Picazzio, do Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP.

O professor ressalta que poluição é tudo que está em excesso e em desacordo com o meio ambiente. Ele reconhece a necessidade da luz em si, mas não na quantidade utilizada hoje nos grandes centros urbanos. Segundo Picazzio, o exagero causa diversos problemas ao homem e ao planeta. A redundância de luz ofusca a visão, causa distúrbios de saúde e problemas psicológicos, provocando um efeito contrário ao do que se esperava. A iluminação pública também é utilizada como ferramenta de segurança nas cidades e em excesso nem sempre traz proteção. Além de prejudicar pesquisas científicas que têm o céu como objeto.

Ele destaca ainda que falta de luz não é prejudicial, tanto que animais noturnos evoluíram em ambientes escuros. A sociedade se desenvolve gastando energia, mas deve ser em um consumo racional, não irracional. Picazzio cita a USP como exemplo de economia, pois mesmo usando uma quantidade reduzida de energia, sua iluminação se faz eficaz.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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