Pedro Côrtes analisa questão ambiental brasileira após vitória de Biden

O professor comenta sobre os riscos que o governo brasileiro corre caso não adote políticas em defesa da Amazônia

 13/11/2020 - Publicado há 1 ano

Com a eleição de Joe Biden como novo presidente dos Estados Unidos, a situação amazônica ganhará um novo contexto, com ainda mais destaque. Mesmo antes de ser eleito, Biden disse no primeiro debate com Donald Trump que destinaria US$ 20 bilhões para a proteção da Amazônia e que, se o desmatamento continuasse acontecendo, o Brasil sofreria consequências econômicas. No entanto, Bolsonaro não parece disposto a ceder à pressão do americano.

O professor Pedro Luiz Côrtes, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, comentou sobre o assunto em entrevista ao Jornal da USP no Ar. Ele conta que Biden “não é um ambientalista de ocasião” e que ele vem desenvolvendo ações e projetos ambientais no Congresso americano há vários anos. Em seu programa de campanha, há propostas focadas na adoção de energias limpas e no combate às mudanças climáticas, incluindo o retorno dos Estados Unidos ao Acordo de Paris. Mas “a adoção de uma agenda ambiental vai depender da composição do Senado. Se ele conseguir a maioria, ficará mais fácil. Se o Senado for de maioria republicana, ele poderá enfrentar dificuldades, mas, na agenda externa, as ações poderão ser mais fáceis”, indica o especialista.

Caso o governo brasileiro persista com sua política externa, há grandes chances de que o País fique ainda mais isolado internacionalmente. A ameaça de retaliação econômica pode passar pela sobretaxa da importação de produtos brasileiros (o que agradaria setores americanos mais protecionistas, inclusive) e até mesmo pode haver o bloqueio de linhas de financiamentos ou investimentos.

Segundo Côrtes, caso o Brasil queira adotar uma visão estratégica da situação, o prazo para que o governo mostre uma mudança mais efetiva na política ambiental são dois meses, quando Biden assumirá o cargo. Ao fazer isso, será possível negociar recursos para a preservação amazônica com o governo dos EUA. “Por outro lado, caso ele mantenha a mesma retórica adotada até agora, o governo brasileiro terá que se preparar para retaliações econômicas que em nada ajudarão na recuperação de nossa economia”, alerta.

Além disso, o professor frisa que essa mudança de posicionamento em relação ao meio ambiente não significa uma subserviência às imposições americanas: “Trata-se apenas de cumprir o que as nossas leis determinam, combatendo o desmatamento com maior fiscalização e recursos para isso”. No entanto, Bolsonaro não parece disposto a ceder ou negociar esse assunto no momento.


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