Pandemia muda status econômico e cria novos grupos de vulneráveis

Além de homens e mulheres negros, a crise atinge também trabalhadores brancos em serviços não essenciais

Em 24 de abril de 2020, uma nova nota técnica da rede de pesquisa Covid-19: Políticas Públicas e as Respostas da Sociedade foi apresentada, dando seguimento ao estudo que apontou a vulnerabilidade de trabalhadores brasileiros durante a pandemia, geralmente cargos informais que não podem ser operados legalmente neste momento. Ao elencar esses níveis de vulnerabilidade, o Poder Público teria como elaborar e adotar medidas para ajudar esse grupo de pessoas.

Nesta nota, notou-se que, além de afetar homens negros e mulheres negras, a crise decorrente da pandemia também foi capaz de criar novos tipos de grupos vulneráveis: a do homem branco e da mulher branca em serviços não essenciais. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, Jefferson Leal, mestre em Ciência Política pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo e pesquisador da Centro de Estudos da Metrópole  (CEM/USP), comentou que a análise foi aprofundada, considerando aspectos como educação, raça, gênero e região para ver como eles se conectam com a questão da vulnerabilidade.

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De acordo com ele, a percepção da existência desses novos vulneráveis é possível justamente pelos resultados obtidos desse parecer mais recente. O cruzamento de dados é realizado através de informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de boletins da SciELO, de relatórios de mobilidade do Google e de dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

A denominação novos vulneráveis foi escolhida porque já existiam pessoas vinculadas à profissões com maior instabilidade, os considerados informais, que geralmente são compostos de homens e mulheres negras. “O que aconteceu agora, com esse cenário trazido pelo coronavírus e pelas medidas de isolamento, que acabam restringindo a atividade econômica, é que alguns setores foram determinados como essenciais e outros não”, explica Leal. Os setores não essenciais têm uma predominância de profissionais com ensino superior e de mulheres, em sua maioria branca, então profissionais que geralmente teriam empregos estáveis acabam enfrentando dificuldades em momentos como o vivido atualmente.

Com a certeza de que haverá uma piora econômica e que demissões irão acontecer, Leal comenta que o auxílio, de R$ 600, distribuído pelo Governo Federal é de grande ajuda, já que é função do Poder Público auxiliar na reposição de renda dos trabalhadores. Outra ação que deve ser tomada é a das políticas de crédito destinadas às pequenas e médias empresas, que ajudariam no fluxo de caixa, pois empresas desse porte não funcionam por muito tempo com o caixa abaixo do normal.

Saiba mais ouvindo a entrevista na íntegra.


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