SUS pode sair fortalecido da crise sanitária provocada pelo coronavírus

José Ricardo Ayres avalia que a distribuição dos serviços de UTI, mais concentrada em algumas regiões do País, ainda é um problema

jorusp

O Sistema Único de Saúde (SUS) está no centro da crise sanitária do novo coronavírus, mas poucos conhecem a estrutura e avaliam a dimensão do serviço disponibilizado a todos os brasileiros. Não há outro sistema público de saúde universal no mundo como o SUS, pois o serviço prestado no Brasil é algo singular em questão de abrangência. Isso se confirma quando a diversidade de regiões encontradas no País é analisada, com o trabalho sendo mais complexo e exigindo uma força de trabalho mais intensa.

Para o professor José Ricardo Ayres, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em entrevista ao Jornal da Usp no Ar, como o SUS segue as questões da universalidade, equidade e integralidade as respostas exigidas em um cenário de pandemia são mais coesas, rápidas e capazes de incorporar soluções, seja para situações mais emergenciais como para situações cotidianas.

Apesar disso, há também pontos negativos a serem observados, com aspectos que fogem ao controle do serviço. “O SUS vem sofrendo, ao longo dos últimos anos, um processo de subfinanciamento importante, então hoje a gente tem uma série de deficiências em vários aspectos do nosso sistema de saúde e isso vai afetar a nossa capacidade de resposta”, comenta Ayres.

No entanto, para o professor, o Brasil está sendo capaz de controlar a velocidade de disseminação do vírus através das medidas de distanciamento e isolamento. O problema surge quando a distribuição dos serviços de UTI é mais concentrada na região Sudeste e nas grandes cidades do que no resto do País, o que impacta nos índices de mortalidade. Outra questão é a falta de aparelhos em determinados lugares, fator que também se relaciona à distribuição acumulada em uma determinada localidade.

A expectativa é de que o SUS saia fortalecido deste momento, pois as complicações que apareceram agora são, na verdade, problemas crônicos. Ayres explica que o País tem a chance de perceber essas fragilidades, mobilizar a sociedade e buscar soluções para esses problemas, percebendo que a saúde de um depende da de todos e que não há como pensar em saúde de forma individual.

Saiba mais ouvindo a entrevista na íntegra.


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