Efeitos da pandemia acentuam vulnerabilidade de trabalhadores brasileiros

Os trabalhadores informais aparecem como os mais vulneráveis, principalmente aqueles de setores não essenciais, muito embora o grau de vulnerabilidade possa variar de um segmento para outro

Recentemente, foi apresentada uma nota técnica, fruto do trabalho de uma rede de pesquisadores da USP,  que aponta a vulnerabilidade de trabalhadores brasileiros na pandemia provocada pelo coronavírus. O estudo identificou os segmentos mais frágeis desses trabalhadores, mensurando o grau de suas vulnerabilidades, possibilitando a elaboração de políticas públicas de referência. O Jornal da USP no Ar conversou com os coordenadores do estudo, Rogério Barbosa, pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole (CEM) da USP, e Ian Prates, pesquisador do Observatório de Inovação e Competitividade do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. Ambos fazem parte da rede de pesquisa Covid-19: Políticas Públicas e as Respostas da Sociedade.

Para fazer a nota técnica, foram compilados dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (PNAD) 2019 do IBGE, além de informações do Google, Scielo e Sebrae. “A partir dessa combinação, conseguimos estimar quem seriam esses trabalhadores vulneráveis, já que fugimos do nosso costume de trabalhar com dados prontos do IBGE, Inep e [antigo] Ministério do Trabalho”, afirma Prates.

Barbosa diz que informais que já não podem operar legalmente tornam-se os mais vulneráveis, graças às duas piores características que configuram as vulnerabilidades deste momento: vínculos dos trabalhadores e setores não essenciais que tiveram empresas fechadas. Prates revela que essa combinação de características gera cinco grupos diferentes de vulnerabilidades. O grupo dos menos vulneráveis em setor essencial pouco impactado (vínculos fortes formais, funcionários públicos e militares) soma cerca de 19% da força de trabalho ocupada, aproximadamente 17;8 milhões de trabalhadores. Isso faz com que os outros 81% formem os outros quatro grupos vulneráveis (em mais e menos vulneráveis em setor não essencial; mais vulnerável em setor essencial; e menos vulnerável em setor essencial muito impactado), deixando quatro de cada cinco empregados sujeitos à perda de empregos.

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“O ponto forte do estudo é mostrar como a situação de um mercado de trabalho, que já era bastante fragilizado, combinado com o momento de pandemia, acaba afetando trabalhadores, até então seguros, que agora passam a ficar vulneráveis”, explica Ian Prates. A pesquisa mostrou que 75,5 milhões de trabalhadores, que representam os 81% da força de trabalho nacional, experimentam ao menos algum tipo de vulnerabilidade em virtude dos efeitos da pandemia. Parte dessas pessoas sequer estava ou já passara por situações vulneráveis antes, necessitando de políticas públicas diferenciadas para esses grupos. “Eles precisam da manutenção das capacidades das empresas [empregadoras] em se manterem. [Mas] as tentativas do governo de manter o vínculo de trabalho dessas pessoas ainda estão bem confusas”, alerta Rogério Barbosa.

Confira a entrevista na íntegra no player acima.


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