Projetos de comunicação digital ganham vida em incubadora da USP

Iniciativa da ECA estimula alunos a criarem projetos de comunicação, artes e tecnologia

Por - Editorias: Universidade
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Telas de aplicativos desenvolvidos por alunos na Iris – Foto: Reprodução

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Espalhados em vários computadores, estudantes conversam sobre aplicativos e discutem as imagens mostradas nas telas. Ao mesmo tempo, um professor faz um comentário sobre o projeto de um aluno e apresenta outras abordagens possíveis. Para ilustrar sua fala, ele projeta paletas de cores e outras ferramentas na parede. Assim é a rotina da Iris, Incubadora de Talentos da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.

“A ideia é mostrar que o futuro da comunicação está na prototipação de ideias. Qualquer pessoa tem que entender que é capaz de propor algo diferente. Criando essa cultura, você entende que o indivíduo comum pode fazer a diferença”, explica o professor Luli Radfahrer, diretor da incubadora.

Cada aluno participante trabalha em um projeto multidisciplinar, envolvendo, principalmente, as áreas de comunicação, artes e tecnologia. Não é preciso ter conhecimento técnico, estratégico, nem administrativo. É durante o período na incubadora que os estudantes vão aprender a criar modelos de negócio, fazer pesquisas de viabilidade, identificar o público e suas necessidades, entre outras etapas que envolvem o desenvolvimento de um projeto.

Radfahrer ressalta que a visão da Iris é didática, e não focada no lucro. “Muitas vezes, as pessoas dizem que a internet é democrática e que todo mundo pode criar o seu aplicativo. Isso é uma falácia, porque os aplicativos estão cada vez mais sofisticados. A criação deles demanda investimento financeiro e conhecimento técnico e o resultado é que ele está concentrado na mão de poucos. Se você quiser criar uma startup, precisará de tempo e dinheiro, o que a maior parte da população não tem”, afirma.

O que não significa que não se possa dar vazão às ideias. A Iris, explica o professor, tenta compreender a comunicação digital através da cultura de prototipação, em que todos podem criar. “Se você sentir que pode propor, você consegue reclamar, demandar produtos ou serviços melhores e é capaz de promover mudanças — é o que tentamos apresentar na ECA, quando ensinamos os alunos a fazer uma leitura crítica”, complementa.

Além da sala de aula

Atualmente, a Iris conta com dez alunos, que participam durante aproximadamente um ano das atividades da incubadora. André Luiz está no terceiro semestre de Relações Públicas e conta que as partes práticas do projeto representam um diferencial em sua formação. “A nossa graduação tem uma grande carga teórica e sentimos muita falta de aplicar o que vemos. Além disso, acabei aprendendo várias outras coisas. Tive que ler livros que eu nunca veria pelo meu curso”, explicou.

Outro diferencial do projeto é que ele vai mudando de acordo com a experiência dos alunos. Os grupos não são fixos e as ideias desenvolvidas podem ser descartadas no meio da produção, se for necessário.

Mateus Rila, por exemplo, contou que entrou na Iris em agosto do ano passado e já está no seu quarto projeto, sendo que só esse último foi realmente lançado. “O Lendas USP é um site de divulgação e classificação de lendas e histórias da Universidade. Nós conseguimos mais de 1,5 mil acessos no primeiro dia, uma experiência boa para levar algo concreto dessa vivência”, afirmou o aluno de Publicidade e Propaganda.

No próximo ano, a Iris poderá contar com alunos de toda a Universidade, não apenas da ECA. O professor Luli Radfahrer espera formar equipes multidisciplinares, que possam contribuir mais nas produções. “O projeto é extremamente inquietante. Tem épocas que está todo mundo muito agitado, outras em que todos estão muito desanimados, mas o mais legal é que nunca estão acomodados.”

 

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