Na USP, “aulões” ajudam quem tem dúvidas em disciplinas

Organizados pelos próprios universitários, encontros repassam conteúdos considerados difíceis em cursos da Universidade

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De aluno para aluno, Centro Acadêmico da FEA promove Aulão sobre Cálculo I – Foto: Crisley Santana / Jornal da USP

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Muitos trabalhos, semanas de provas e estudantes querendo entender conceitos e fórmulas. A vida acadêmica na Universidade é exigente e muitos alunos da USP têm se reunido para repassar o conteúdo das disciplinas em grupos. A ideia é simples: quem entendeu melhor um assunto ajuda aquele com dificuldade. A Universidade também possui atividades para apoiar os estudantes.

Uma das iniciativas é o  MED Aprende. Surgido de um burburinho, como “cara, não estou entendendo nada dessa matéria”, ele cresceu. Atualmente, realiza aulas que até 90 estudantes da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), em São Paulo, acompanham.

Alberto Santos Condi, que está no segundo ano do curso de Medicina e colabora na organização, conta que o Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (CAOC) percebeu a necessidade de realizar ações voltadas à explicação de disciplinas em que os alunos possuíam maior dificuldade. 

“Será que você pode falar com a turma para organizarmos aulas de reforço?”, perguntou um dos integrantes do CAOC para Alberto, que concordou. Desde então, ele e outros representantes de turma organizam os encontros. A função deles, segundo o universitário, é perceber quais são as maiores dificuldades da classe, escolher um dia que seja ideal para todos e buscar alguém para ministrar a aula. Esta pessoa pode ser um veterano ou alguém da própria turma. 

Mas não é só como organizador que Alberto atua no MED Aprende. Ele também acompanha as aulas como ouvinte. “Na verdade, eu tenho estudado em grupo ultimamente e isso me ajuda.” 

“Às vezes, não temos tempo de estudar o suficiente ou não entendemos bem a matéria. O bom é que eles têm muita paciência para explicar”, conta Thaís Gomes Pilotto, aluna de Engenharia Química da Escola Politécnica (Poli) da USP, em São Paulo. 

A estudante, que está no segundo ano do curso, assiste às aulas organizadas pelo projeto Fuja da Proveta, que é desenvolvido pela Associação de Engenharia Química (AEQ), o centro acadêmico do curso na USP. 

Para Thaís, outro aspecto que auxilia muito no entendimento das matérias é a resolução de exercícios feita nos encontros. O fato de serem proporcionados por veteranos, que já passaram pela disciplina e se saíram bem, é mais um ponto positivo. “Ajuda bastante porque eles sabem como resolver as provas e as dificuldades que os alunos geralmente têm.”

O Centro Acadêmico Visconde de Cairu (CAVC) da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, em São Paulo, é outra entidade que organiza aulas sobre disciplinas da graduação. Chamadas de “Aulões”, as atividades desenvolvidas beneficiam alunos de vários cursos da faculdade.

Rúbia Helena Aparecida de Campos, que está no primeiro ano do curso de Economia, afirma que encontros promovidos pelo CAVC a auxiliaram a alcançar resultados satisfatórios. “Acompanho desde o primeiro Aulão. Se eu não tivesse vindo, minhas notas teriam sido bem inferiores, com certeza.”

A estudante acredita que a participação de estudantes como “professores” traz uma relação maior de proximidade, algo que nem sempre ocorre no dia a dia da graduação, e contribui na compreensão dos conceitos. “Teve uma matéria que eu li vários livros e não conseguia entender, mas depois do Aulão fez sentido.” 

Sua ida às atividades geraram uma outra recompensa. No último encontro sobre Cálculo I, ela ganhou um dos três livros doados pelo veterano que ministrava a aula do dia, Thiago Botelho, aluno do terceiro ano de Economia. 

Rúbia exibe livro recebido em Aulão na FEA – Foto: Crisley Santana / Jornal da USP

Livros não foram a única coisa que o veterano deu para os estudantes que acompanhavam, atentos, a resolução de contas. “Ah, eu comprei uns ‘chocolatinhos’ para vocês. Quem quiser pegar, fica à vontade”, disse ele enquanto passava a sacola de doces entre a turma.

Thiago conta que aceitou o pedido do Centro Acadêmico para ministrar o Aulão por empatia. “Peguei DP [dependência, reprovação] em Cálculo I quando fui aluno da Poli. Mas depois de um tempo, com mais maturidade, a gente percebe que não é preciso ser um gênio para ir bem em matemática.”

Iniciativas institucionais

Não é só do grupo discente que partem atividades como essas. O Programa de Estímulo ao Ensino de Graduação (PEEG), mantido pela Pró-Reitoria de Graduação da USP, oferece uma bolsa de R$ 450,00  para estudantes que já cursaram uma disciplina e tiveram bom rendimento para atuarem como monitores em sala de aula.

Para concorrer a uma vaga de monitor, o aluno deve se inscrever no projeto da disciplina cujo conteúdo ele domina por ter cursado a própria disciplina ou equivalente. A monitoria é desenvolvida sob supervisão de um dos docentes da matéria.

Há ainda ações nas unidades. A FMUSP é um exemplo. Dentro da Rede de Apoio ao Estudante existe a Tutoria Acadêmica. Com o objetivo de permitir avanço no curso, a tutoria conta com professores que são familiarizados com todas as áreas da grade curricular. Por enquanto, os docentes tutores atendem somente os alunos do curso de Medicina. Ou outros cursos abrigados pela rede estão sendo acompanhados pela Comissão Coordenadora de Curso (CoC). 

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