Alunos levantam discussão sobre sexualidade e identidade de gênero na USP

Estudantes da Escola Politécnica se organizam em coletivo e realizam projetos e eventos para debater a diversidade

Por - Editorias: Universidade
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Foto: Divulgação / PoliPride
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O coletivo PoliPride surgiu na Escola Politécnica (Poli) da USP em 2013 com o objetivo de reunir a comunidade LGBT – sigla que faz referência a Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais – e levantar discussões sobre identidade de gênero e diversidade sexual, integrando os alunos política e socialmente.

20161021_poli_pride1Estudante do curso de Engenharia Química, Rubens Lima é um dos representantes do coletivo e conta que os alunos LGBT da Poli sentiram a necessidade de se reafirmar dentro da unidade de ensino, e foi assim que o grupo surgiu. “A Poli é um ambiente muito conservador e cheio de preconceitos que vinham da sociedade e eram reproduzidos em um curso praticamente só de homens”, afirma. “Vimos que precisávamos criar um coletivo político e começar a tentar nos impor como representantes das pessoas LGBT na Poli.”

No início, lembra o aluno, o coletivo não tinha grande expressividade dentro da escola, especialmente porque os membros não tinham muita experiência e não sabiam como fazer a organização. “As pessoas também não nos conheciam no começo, por isso, éramos um grupo meio ‘clandestino’”, complementa. “Com o passar do tempo, começamos a promover reuniões para divulgar atividades e nossa organização foi crescendo. As ações ficaram cada vez maiores, como, por exemplo, exibições de filmes com temática LGBT e grupos de estudo sobre temas importantes da sociedade. Já tivemos grupos de estudo sobre sexualidade, drag queens, transexualidade e identidade de gênero.”

Os eventos organizados pelo coletivo não são restritos aos membros do grupo. O estudante explica que a intenção é que todos possam participar das discussões. “As atividades foram criadas para tornar o debate mais aberto, não só para as pessoas do grupo, mas também para trazer a comunidade politécnica para dentro da discussão e mostrar que a gente está lá”, explica.

Foto: Divulgação / PoliPride
Foto: Divulgação / PoliPride

Hoje, o PoliPride possui aproximadamente 260 membros, entre alunos e ex-alunos. Lima conta que, com o crescimento, o coletivo ganhou visibilidade dentro da unidade. “Depois de um certo tempo, a comunidade politécnica passou a reconhecer a gente”, diz. “Se teve alguma resistência? Talvez. Porém, no começo, percebemos que era mais por desconhecimento do mundo e da questão da diversidade do que por preconceito natural. Claro, enfrentamos também situações de preconceito natural, mas estamos conseguindo vencer agora. Muitas das atividades que são feitas na Poli contam com grupos de diversidade, e a gente faz parte disso.”

Além das atividades mencionadas, o coletivo também organiza a Semana da Diversidade Sexual e de Gênero da Escola Politécnica (Sedep), que este ano está na sua segunda edição. Segundo o estudante, o evento foi uma das primeiras Semanas da Diversidade criadas dentro da USP, atrás apenas da organizada pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA). A proposta do encontro, que terá duração de quatro dias, é dar ainda mais visibilidade para o coletivo PoliPride e mostrar a importância de fazer discussões sobre sexualidade e identidade de gênero dentro da Universidade.

A Sedep ocorre na próxima semana, entre os dias 24 e 28 de outubro, no Auditório do Prédio da Engenharia Elétrica, na Poli. As atividades são divididas em dois períodos: o da manhã, que tem início às 11h15, e o da tarde, que começa às 17 horas. O evento contará com mesas de debate e palestras sobre a história do movimento LGBT, o período de transição para pessoas transexuais, a intersecção do movimento LGBT com a causa negra e a atuação dos LGBT no mercado de trabalho. Além disso, no dia 27, o evento terá uma atividade especial dedicada ao mercado de trabalho, convidando empresas que possuem políticas de inclusão de pessoas LGBT em suas equipes para se apresentar e fazer uma simulação de processo seletivo.

Rubens afirma que discutir a diversidade sexual e de gênero dentro da USP é fundamental para novas fronteiras para estudantes e funcionários. “Eu acredito que a diversidade traz muitos benefícios, principalmente porque em um lugar como a Universidade, onde se gera conhecimento, é muito importante ter uma variedade grande de opiniões, e a variedade de opiniões surge da diversidade de pessoas no ambiente”, explica. “Então, quanto mais diversificadas forem as opiniões daqui, melhor vai ser a construção do conhecimento, tanto para o conjunto da Universidade quanto para cada indivíduo. É importante fazer esse debate, também pelo respeito aos indivíduos. Aqui é um espaço de formação de cidadãos, e é importante que eles respeitem a todos os seus semelhantes.”
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Para mais informações sobre o coletivo PoliPride, acesse a página do Facebook do grupo. Para fazer inscrições e conferir a programação completa da segunda edição da Sedep, clique aqui.

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