Queimadas no Pantanal prejudicam setor socioeconômico, diz especialista

Para ecólogo, ecoturismo pode ser o principal afetado; além de atrair pessoas do mundo inteiro, setor contribui para a conservação das espécies

O programa Ambiente É o Meio desta semana conversa com o ecólogo Cleber José Rodrigues Alho, professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB), sobre o Pantanal, local de trabalho do pesquisador há 30 anos. Considerado uma das mais importantes áreas úmidas do globo terrestre, o bioma vem enfrentando período de estiagem e queimadas. 

Rodrigues Alho conta que o Pantanal é um ecossistema sazonal que, ao longo de um ano, enfrenta períodos de enchentes, cheias ou seca. O problema, explica, é que, neste ano, o bioma enfrentou um longo período de estiagem severa. A seca e as queimadas, muitas vezes utilizadas por pantaneiros, agricultores e criadores de gado para conversão da vegetação em pasto, fizeram o fogo “se expandir drasticamente por todo o Pantanal”. 

Segundo o ecólogo, as queimadas afetam diversos setores da região, principalmente o setor socioeconômico. Diz que no local existe abundância de espécies que estão na lista de ameaça de extinção, como é o caso das onças pintadas, e que a biodiversidade é um dos principais atrativos do ecoturismo, que pode ser prejudicado pela devastação do bioma. 

“Na última vez em que eu estive no Pantanal, encontrei um grupo grande de europeus que estavam lá para ver os fenômenos da natureza. Eles ficaram entusiasmados por terem visto uma onça pela primeira vez.” Para o professor, eventos como esse só se tornam possíveis por meio da conservação do ecossistema, pois, “se destruirmos a natureza, a onça e a abundância de aves vão desaparecer”. 

Porém, os problemas do Pantanal estão além dos períodos de queimada. Rodrigues Alho afirma que a sobrepesca, praticada longe dos valores da sustentabilidade, aliada ao desmatamento, à conversão da vegetação natural em pastos para gado e ao tamanho das fazendas, estão entre os fatores que prejudicam o bem-estar das espécies pantaneiras, assim como da economia que gira em torno do meio ambiente. Além disso, o ecólogo também cita a precarização da fiscalização no ecossistema. Diz que a atuação da legislação no Pantanal é “quase nula, porque os Estados possuem poucos recursos para isso”. Com a falha, “há todo esse agravante de problemas lá”.

Ouça no player acima o programa Ambiente É o Meio na íntegra.  

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