Cerrado brasileiro precisa de queimadas pontuais para preservar espécies

Queimas prescritas são queimadas controladas, previstas na lei e utilizadas para que a diversidade de plantas e animais seja mantida no bioma 

O programa Ambiente É o Meio desta semana conversa com a engenheira ambiental Giselda Durigan, pesquisadora do Instituto Florestal do Estado de São Paulo, sobre o benefício das queimadas prescritas para fins de conservação do cerrado brasileiro. 

Giselda vem acompanhando, há 40 anos, as mudanças sofridas pelas espécies vegetais do cerrado. Para preservá-las, adianta a engenheira ambiental, são necessárias queimadas pontuais, do contrário, a floresta perde espaço para a mata atlântica, devido ao adensamento do solo. “Cada vez que volto para medir, espécies desapareceram. As espécies do cerrado precisam de sol” e, quando outras vegetações se adensam, as espécies nativas desaparecem. 

A região da Estação Ecológica de Santa Bárbara (SP), onde Giselda realiza pesquisas, precisa de queimadas programadas, com pequenos focos de incêndio, para que a vegetação não se transforme em mata atlântica. “A diversidade de plantas pequenas e os animais que necessitam de campos abertos são igualmente importantes aos ecossistemas de florestas. Não existe um mais importante ou mais valioso do que o outro”, afirma.

Mas, alerta a pesquisadora, “não é qualquer tipo de fogo que deve ser colocado no bioma”. Giselda defende que sejam respeitados todos os parâmetros da lei para a queima prescrita, diz que “não é sair queimando qualquer lugar, tem que ser planejado”. Também afirma que o uso do fogo é necessário para conservar as espécies do cerrado brasileiro, perdidas ao longo dos anos. “Às vezes eu preciso causar um impacto para ter um benefício de longo prazo. O cerrado, três meses depois do fogo, é um jardim, é uma coisa surpreendente e encantadora”, afirma. 

Ouça o programa Ambiente É o Meio na íntegra no player acima.

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