Pouco divulgados, Gay Games são um dos grandes eventos do planeta

Criado em 1982 e desde então realizado a cada quatro anos, evento já teve nove edições, com número expressivo de atletas

Por - Editorias: Cultura
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Foto: Reprodução / Revista USP n.108
Foto: Reprodução / Revista USP n.108

O artigo Esporte, cultura e política: a trajetória dos Gay Games nas práticas esportivas contemporâneas, do professor Wagner Xavier de Camargo, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), fecha o dossiê especial da Revista USP sobre os jogos olímpicos.

Nele, Camargo analisa um tema cuja discussão é ainda incipiente (ou praticamente inexistente) no Brasil e joga luz sobre um evento pouco conhecido e divulgado: a participação da comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) em eventos esportivos e o evento esportivo da própria comunidade, os Gay Games.

Camargo apresenta a história do evento, criado em 1982 pelo decatleta norte-americano Tom Waddell (que competira nos jogos olímpicos da Cidade do México, em 1968, e tinha um histórico de engajamento político). Realizado desde então a cada quatro anos, o evento é definido pelo próprio idealizador como “não separatista, não exclusivo, não orientado para a vitória e não visando a ganho comercial. Os Gay Games têm, contudo, a intenção de unir uma comunidade global em amizade, de ser uma experiência participativa, de elevar a conscientização e a autoestima e de atingir uma forma de sinergia cultural e intelectual”. Assim, embora sejam uma competição esportiva global, nos moldes olímpicos, voltada a abraçar a comunidade LGBT sem distinções, os Gay Games pretendem ser também um evento cultural de integração e pluralidade.

Ao longo do artigo, o autor fornece dados sobre os números dos Gay Games, que mostram o sucesso do evento. Por exemplo, em 1994, os Gay Games, realizados em Nova York, nos Estados Unidos, atraíram mais atletas do que os Jogos Olímpicos de Barcelona, dois anos antes. Com base em informações como essa, Wagner Camargo questiona por que o evento é tão pouco conhecido, tendo números tão expressivos e regulares em suas nove edições já realizadas. Além disso, há trechos de entrevistas com participantes e competidores dos Gay Games que reforçam a ideia de que se trata de muito mais do que um evento esportivo.

Camargo traz ainda críticas feitas por pesquisadores e militantes em relação aos Gay Games, seja por um suposto caráter bairrista (devido ao fato de cinco das nove edições terem sido realizadas nos Estados Unidos), seja por ser visto como um “espaço guetificado”, contrariando a proposta de ser plural e inclusivo. Dessas críticas, surgiram eventos similares, os World Outgames, que tornam “um exercício de futurologia refletir sobre o que acontecerá ao formato e à proposta ideológica dos Gay Games”, segundo o autor. Mesmo assim, a décima edição dos Gay Games já está sendo planejada para ocorrer em 2018, em Paris, na França.

Veja aqui o texto completo

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