Como entender a magia olímpica? Palestras explicam física dos esportes e do cotidiano

Ciclo de palestras aberto ao público oferecido pelo Instituto de Física da USP será transmitido pelo YouTube todas as terças-feiras de agosto, às 16 horas

 02/08/2021 - Publicado há 4 meses
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Evento começa no dia 3 de agosto, com palestras toda terça-feira, às 16h – Foto: Breno Barros/Fotos Públicas

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Em tempos de Olimpíadas, é difícil não se encantar com as altas velocidades nas corridas, com a força e agilidade dos atletas na natação, os belos movimentos da ginástica, futebol, skate, remo e tantas outras modalidades que integram o maior evento esportivo do mundo. A física explica exatamente como essa “magia” acontece, não somente no esporte, mas também em situações do cotidiano.

Para desmistificar algumas das leis da natureza que regem os corpos e suas interações no esporte e na vida diária, o professor Otaviano Helene, do Instituto de Física (IF), vai oferecer um ciclo de palestras abertas, que acontecerão todas as terças-feiras de agosto, às 16 horas. É possível participar pelo Zoom ou assistir à transmissão pelo YouTube

Por precisarem de um certo embasamento, as palestras são direcionadas a um público que, apesar de não especializado, tenha certa familiaridade com a física, como estudantes de ensino médio ou universitários interessados. Não haverá emissão de certificados. 

A primeira palestra, do dia 3 de agosto, vai tratar de um esporte olímpico muito famoso, a corrida dos 100 metros rasos. O professor conta que pretende explorar três conceitos básicos de física, força, energia e potência, para explicar como isso acontece. 

No dia 10, o assunto é óptica. “Você já deve ter ouvido alguém dizer que a Muralha da China é a única obra humana visível da Lua. Na verdade isso não acontece, por causa do efeito de difração da luz na pupila. A difração é um efeito bastante interessante de todas as ondas que existem.” Em Alguma óptica do olho humano, o professor Otaviano Helene fala sobre este e outros aspectos da física no nosso olhar. 

A incrível mecânica do tsunami é tema do dia 17. Otaviano Helene diz que o tsunami é uma onda como qualquer outra dessas que vemos na praia, aproveitadas por surfistas e banhistas. A diferença entre elas, que torna o tsunami capaz de causar tanta destruição, está no comprimento de onda — distância mínima em que um padrão temporal da onda (um ciclo) se repete. “Essas ondas comuns em que, quando quebram, a água invade a areia e entra bem pouco pela praia, têm um comprimento de onda de mais ou menos 100 metros. Já o tsunami tem um comprimento de onda de uma centena de quilômetros, o que faz com que ela continue entrando pela terra por vários minutos.”

O professor lembra que, por ser uma onda, assim como a luz, o tsunami também sofre difração, refração e outros efeitos. “Aquele tsunami que ocorreu no Oceano Índico, a leste da Índia, foi capaz de atingir cidades no oeste, do outro lado do país, ainda que com menor intensidade. Como é que a onda chegou lá, do outro lado da Índia? Ela sofreu refração e fez uma curva.”

Já a quarta palestra, no dia 24, responderá por que ciclistas precisam fazer força para manter velocidade constante. Os protagonistas do dia serão a força de atrito de rolamento nos pneus e a resistência do ar, que impactam diretamente na velocidade que os atletas conseguem atingir. “Quando uma pessoa anda, corre ou pedala na bicicleta a uma alta velocidade, além do atrito que é preciso vencer, arrastar o ar à sua frente também é algo que exige força. Quando estamos caminhando sossegados a gente nem percebe essa resistência do ar, mas para um ciclista a 40, 50 quilômetros por hora, ou mais, a resistência é muito grande, e isso limita a velocidade que se consegue alcançar.” 

O professor destaca que as condições do ambiente e da densidade do ar são importantes para o desempenho dos atletas. “Falando de Olimpíadas, uma coisa interessante é que nas provas em cidades muito altas, como na Cidade do México, a 2 mil metros de altura, os atletas lidaram com um ar mais rarefeito e que oferece menor resistência. Isso permitiu que fossem batidos muitos recordes de velocidade lá. Enquanto isso, no Rio de Janeiro ou em Tóquio, dificilmente veríamos muitos recordes de alta velocidade em modalidades como ciclismo e corrida, porque a resistência e a densidade do ar são muito grandes a nível do mar e alturas próximas a este nível.”

A última palestra, que acontece no dia 31 de agosto, vai esclarecer se o balanço, um dos brinquedos mais amados dos parques de diversões, é perigoso ou não. “Esses balanços de criança são interessantes, porque as acelerações da criança e do balanço são de igual intensidade e na mesma direção, o que faz com que o brinquedo seja seguro. Para se ter uma ideia, se você puser um copo com água no banquinho do balanço e balançá-lo com cuidado, nem o copo e nem a água irão cair.”

O professor Otaviano Helene é docente sênior do Instituto de Física da USP. Tem diversos artigos e livros publicados, no Brasil e no exterior, em áreas como física nuclear, tratamento estatístico de dados, política educacional, análise de dados econométricos, disseminação científica e cultural, etc. Ele mantém um blog sobre física e esportes, o Ciências Olímpicas. “Se você gosta de esportes, as palestras são uma oportunidade para conhecer a física por trás deles. E se você gosta de física, são uma oportunidade para ver que ela é aplicada também aos esportes e ao dia a dia.”

 

Foto: Divulgação/Instituto de Física

 

Programação

3/8 – A física dos 100m rasos
10/8 – Alguma óptica do olho humano
17/8 – Tsunami!
24/8 – Se f=ma, por que ciclistas precisam fazer força para ter velocidade constante?
31/8 – Balanço: um brinquedo perigoso?

Confira as transmissões no Canal do IF no YouTube: http://bit.ly/canalifusp

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