Pesquisadores da USP São Carlos desenvolvem sistema de desinfecção de ambientes fechados

O novo sistema usa tecnologia UVC e gradiente de pressão que eliminam partículas patogênicas do ar em lugares de grande circulação de pessoas

Equipamento de desinfecção de ambientes fechados foi desenvolvido pelo Grupo de Óptica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP. – Imagem: Jornal da USP/Assessoria de Imprensa IFSC

Rui Sintra/Assessoria de Comunicação IFSC

Pesquisadores da USP desenvolveram equipamento para descontaminação de partículas suspensas no ar em ambientes fechados, onde circulam muitas pessoas. O novo sistema produzido por pesquisadores do Grupo de Óptica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP usa tecnologia de radiação UVC (método com base em luz ultravioleta para inativação rápida de microrganismos) para eliminação de patógenos e gradiente de pressão que proporciona a decantação mais rápida de partículas patogênicas que são eliminadas do chão antes de alcançar a área de respiração das pessoas.

A desinfecção sanitária é indicada para diversos lugares, salas de espera, escolas, clínicas, consultórios, dentre outros espaços onde há a circulação constante de pessoas. No IFSC, algumas salas de aula já estão sendo equipadas com o sistema para diminuir riscos de contaminação de estudantes, funcionários e professores durante atividades didáticas.

Segundo os pesquisadores envolvidos no projeto, que tem a supervisão do professor Vanderlei Bagnato, além dos cuidados necessários com equipamentos de uso pessoal (máscaras e higienização) e descontaminação de utensílios, pacotes, mobílias, superfícies e assoalhos, é importante dar atenção ao ar que que se respira. “Tosse, espirros e ou falas de indivíduos infectados em ambientes fechados são potenciais vias de contaminação de vírus e bactérias.” Partículas e aerossois podem permanecer no ar por várias horas.

Independentemente das partículas expelidas na respiração, as vestes, cabelo e outras partes do corpo podem, também, carregar por algum período partículas infectadas que são deixadas no meio ambiente. Mesmo utilizando máscaras, parte destas partículas vaza para o ambiente. Certamente, as máscaras diminuem muito os fatores de contaminação, mas não os anulam por completo, afirmam.

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Como funciona o sistema
O equipamento cria um fluxo de ar quase laminar próximo ao chão, que arrasta as partículas em suspensão levando-as a passar pelo sistema de desinfecção UVC. Em seguida, o ar retorna ao meio ambiente desinfectado. Alguns experimentos realizados mostram que durante uma única passagem por esta luz intensa, 99,99% dos micro-organismos são eliminados. Com diversas passagens, atinge-se alta diminuição microbiana. Durante a operação do equipamento, a cada 15 minutos, 100 metros cúbicos (m³) de ar circulam pelo sistema. Desta forma, quando ligado, todo o ar de uma sala de tamanho médio (5x5x4 m) passa pelo sistema a cada 15 minutos. A grande vantagem do sistema é que tudo que circula passa pelo processo de descontaminação, e aquilo que a pressão de cima para baixo ajuda a depositar no chão, representa menos risco às pessoas.

Assista entrevista com o professor Vanderlei Bagnato sobre a capacidade da metodologia UVC para desinfecção de áreas com vírus e bactérias.

Mais informações: vander@ifsc.usp.br, com Vanderlei Bagnato, e rsintra@gmail.com, com Rui Sintra

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