Vazamento de dados recorrente exige novas tecnologias de proteção e aplicação das leis

“Empresas que têm grande volume de dados, como os que vazaram nos últimos tempos, deveriam usar mecanismos de proteção para, no mínimo, evitar esse tipo de vazamento”, afirma o professor Marcos Simplício

Os recentes vazamentos de dados, no Brasil,  geram muitas dúvidas e preocupações. Ainda que exista uma Lei Geral de Proteção de Dados, que exige que as empresas protejam os dados dos clientes, a exposição tem sido recorrente e é preciso cuidado. Marcos Simplício, professor do Departamento de Engenharia da Computação da Escola Politécnica da USP, comenta os casos do ponto de vista da tecnologia da informação e da importância da segurança de dados, em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição.

“Empresas que têm grande volume de dados, como os que vazaram nos últimos tempos, deveriam usar mecanismos de proteção para, no mínimo, evitar esse tipo de vazamento. Existem sistemas automáticos que detectam ações estranhas, como acesso a um grande volume de dados em um curto espaço de tempo”, afirma o professor. Já existem também empresas contratadas para testar vulnerabilidades nos sistemas para que sejam resolvidas e para que situações como essas não aconteçam.

Os dados podem ser vendidos em camadas escondidas na internet. A famosa “deep web” seria essa parte, em que o conteúdo não é facilmente indexado pelos conhecidos sites de busca, como o Google. “A origem do vazamento não é clara, porque há várias formas de vazar dados. Pode ser falha em um aplicativo que foi comprado pela empresa, pode ser uma falha interna no uso do aplicativo ou usuários externos desonestos que vazam os dados. É importante descobrir qual das três principais vias foi utilizada”, explica Simplício.

O desenvolvimento de novas tecnologias vem acompanhado da necessidade de proteção de dados. As empresas devem se ater a isso e devem ser aplicadas medidas mais duras para que a segurança e o direito à privacidade dos consumidores sejam encarados como uma prioridade.

Mesmo que seja possível fazer algumas previsões para inovar os mecanismos de defesa, as ferramentas de proteção acabam por ser dependentes da criatividade dos ataques, evoluem de acordo com as experiências. Marcos Simplício encerra dizendo que “a área de segurança evolui para tentar garantir a segurança do usuário”, mas tudo isso leva tempo. Portanto, há esforços também de profissionais alinhados à ética para resolver problemas como esses e evitá-los.


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