Reforma agrária, um tema antigo e sempre atual

Reforma agrária atualmente só faz sentido se tiver viés agroecológico e social, diz especialista

No programa Ambiente É o Meio desta semana, o tema é reforma agrária, com o agrônomo Luiz Octávio Ramos Filho, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de Jaguariúna, São Paulo. Ramos Filho é engenheiro agrônomo formado pela Escola de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, e trabalha na Embrapa Meio Ambiente desde 2003, atuando principalmente nos seguintes temas: sistemas agroflorestais, análise integrada de sistemas biodiversos, assentamentos rurais, agricultura familiar, transição agroecológica, desenvolvimento sustentável, impactos ambientais e legislação ambiental.

Agricultura camponesa – Foto: Visual Hunt

Para o pesquisador, a reforma agrária é um debate sempre atual no Brasil, tanto por motivos históricos como por motivos ambientais. Históricos por não ter acontecido, mesmo sendo um país essencialmente rural. “O que vimos foi uma modernização conservadora, com a revolução verde, e com isso muitos dizem não ser necessária a reforma agrária porque o campo se modernizou”, diz Ramos Filho.

Para o pesquisador, a justificativa para aqueles que dizem não ser necessária a reforma agrária é que o agronegócio brasileiro é moderno, pujante, fonte de divisas e de exportações, e que seria um retrocesso a reforma agrária. “Ainda tem alguns que dizem que a reforma deve acontecer somente com caráter social. Eu sou daqueles que acreditam que a modernização conservadora trouxe vários problemas, como cidades inchadas, com uma série de problemas urbanos, saturação de recursos naturais, violência e o campo com cada vez menos gente. Também sou daqueles que enxergam a concentração de renda e de terra que o agronegócio trouxe e que esse problema estrutural da sociedade não foi resolvido.” 

Sobre os motivos ambientais, Ramos Filho diz que a questão é mais contemporânea. “A reforma agrária tem que ser pensada modernamente, sob a perspectiva agroecológica. Só faz sentido se tiver esse viés, desconcentrando a terra que está nas mãos de poucos.” Enfatiza que, atualmente, a reforma agrária só fará sentido se tiver um viés agroecológico.

Ambiente É o Meio é uma produção da Rádio USP Ribeirão Preto em parceria com professores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP e Programa USP Recicla da Superintendência de Gestão Ambiental (SGA) da USP.

Ouça a entrevista na íntegra no link acima.

 

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