Falta de visão ambiental do governo pode afetar exportações

Para Pedro Luiz Côrtes, aumento do índice de desmatamento da Amazônia coloca em risco acordo comercial com União Europeia

 05/06/2020 - Publicado há 1 ano

Estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aponta que, de janeiro a maio deste ano, houve um aumento de quase 25% das áreas com aviso de desmatamento na Amazônia em relação ao ano passado. Com a falta de ações efetivas do governo federal para coibir essas atividades, as exportações brasileiras para o mercado europeu podem ser afetadas.

Jornal da USP no Ar conversou sobre o tema com Pedro Luiz Côrtes, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP. Ele relembra que, em 2019, Mercosul e União Europeia (UE) firmaram um acordo comercial, mas que recentemente a Holanda rejeitou a ratificação dessa medida. “A manifestação do parlamento holandês, em função de todos os problemas envolvendo a falta de atenção ambiental, indica que esse acordo não será aprovado, o que causa grande preocupação em relação às exportações.”

Côrtes também ressalta que a vantagem competitiva que se tem hoje com o agronegócio brasileiro pode ser perdida por conta disso, uma vez que o mercado da UE tende a ser protecionista e deve elevar a taxação de produtos vindos do Brasil. Outras possibilidades preocupantes são que esses países possam aumentar o subsídio de produtores locais, fazendo com que as exportações não cheguem com preços vantajosos, e os próprios consumidores europeus parem de consumir artigos vindos do Brasil pela “falta de visão ambiental do governo Bolsonaro, que pode vir a prejudicar a colocação dos produtos brasileiros no exterior”.

O Ministério do Meio Ambiente também tem se envolvido em polêmicas, e apresentado poucas soluções. “Parece que Ricardo Salles está em uma posição estável, sem perspectivas de que ele venha a ser substituído, a não ser que haja algum tipo de prejuízo mais sério. Caso isso venha a ocorrer, é possível que a bancada ruralista pressione sua saída”, diz Côrtes.

Saiba detalhes ouvindo a entrevista na íntegra.


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