Na Amazônia, desmatamento avança nos momentos de instabilidade política

Gilberto de Souza Marques, em seu livro “Amazônia: riqueza, degradação e saque”, expõe dificuldades de povos indígenas para enfrentar desmatadores e a covid- 19

 03/06/2020 - Publicado há 1 ano

O Ambiente É o Meio desta semana conversa com o professor e escritor Gilberto de Souza Marques, do programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal do Pará (UFPA), sobre o livro Amazônia: riqueza, degradação e saque, publicado em 2019 pela editora Expressão Popular.  

Natural do Amapá, o professor conta que o livro é resultado de trajetória pessoal com questões sociais e trabalhistas da população amazônica. “É um livro que busca, entre fatos e processos que grande parte da sociedade brasileira não conhece, destacar as formas de organização e resistência que ocorrem na região”, afirma. 

No enredo, Marques traz os processos históricos que a floresta vivenciou. Diz que nos últimos anos o desmatamento tem aproveitado a instabilidade política do País para avançar, principalmente com o discurso pró-desmatamento do governo atual que dá munição para os setores que degradam a Amazônia. “Eles falam abertamente que têm aval do Presidente para ocupar terras indígenas e áreas de reservas”, conta.

O professor fala que com a pandemia da covid- 19 a situação piorou, pois muitas populações indígenas estão em autoisolamento para própria preservação.  “Fica mais difícil para os indígenas enfrentarem os setores que avançam sobre suas terras”,diz.   Além de lidar com o vírus em condições precárias, como a falta de saneamento básico e superlotação de casas que chegam a abrigar 15 pessoas em três cômodos. “Nessas condições é mais difícil se proteger e fazer o isolamento. Neste caso não basta só ficar em casa”, enfatiza.

Ouça o podcast na íntegra no player acima.

atualizado às 17h20 (03/06/2020)


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