Estudo com 15 mil pessoas vai mapear prevalência de doenças no País

Projeto Elsa busca descobrir como fatores influenciam em doenças como câncer, diabete e Alzheimer

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O Projeto Elsa (Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto) completa dez anos. É o primeiro grande projeto epidemiológico no Brasil que chega ao fim do terceiro ciclo de coleta de dados. A produção científica integrou a epidemiologia brasileira aos principais centros mundiais, permitiu a descoberta da prevalência de doenças no País, estabeleceu protocolos e tratamentos de doenças baseados em levantamento realizados no Brasil, com características biológicas e étnicas brasileiras, possibilitando a orientação de gestores para políticas públicas de saúde. O professor Paulo Andrade Lotufo, da Faculdade de Medicina (FM) e diretor do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica da USP, sede do Elsa Brasil, em São Paulo, falou sobre o projeto.

Projeto ELSA – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

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Ele ressalta que são poucos os países que conseguem fazer um estudo no qual a população do país é representada. O Brasil é o primeiro país ao sul da linha do Equador a conseguir fazê-lo com 15 mil pessoas, o que irá gerar muita informação. A pesquisa deve avaliar desde onde a pessoa mora até seu código genético. O pesquisador destaca a importância dos 15.105 participantes voluntários que são a peça-chave do estudo. Os voluntários estão na faixa etária de 35 a 74 anos e são servidores da USP e de outras universidades federais. Eles fornecem todo o material biológico (como sangue e urina), fazem exames e respondem questionários. Além disso, todos os anos informam alguma novidade, como uma nova doença ou internação. Esse é o ponto de maior interesse do projeto: saber como alguns fatores influenciam em algumas doenças, como câncer e diabete.

Entre as conclusões, a previsão do número de enfartes não ocorreu, sendo muito menor. Também foi possível identificar a obesidade como relevante, ⅔ das pessoas têm peso acima da ideal, o que reflete a prevalência de diabete bem elevada (17%). Além disso, entre os voluntários, 80% das pessoas que eram hipertensas já sabiam que eram, 70% tomavam medicamento e 60% estavam sobre controle, uma porcentagem elevada. Isso mostra que conforme a pessoa está dentro da universidade, perto de hospitais universitários e possui maior esclarecimento, há maior chance de controle. Outro dado importante é que aproximadamente 10% das pessoas com hipertensão têm uma forma mais grave e, mesmo com a ingestão de três medicações diferentes, a doença não é controlada. O professor comenta que isso está sendo levado ao Ministério da Saúde para que existam abordagens específicas para esses indivíduos.

Paulo Andrade Lotufo destaca outro fator: a quantidade de pessoas que começam a apresentar declínio da capacidade cognitiva, um caminho para o Alzheimer. Já há mais casos do que se esperava, alguns precoces. Segundo o professor, o desafio agora é ter todos os recursos, que são caros, para fazer o sequenciamento genômico. Os pesquisadores estão empenhados nisso para fazer um estudo completo.

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