Brasil precisa investir na prevenção de doenças crônicas

Para o oncologista Drauzio Varella, maior dificuldade está na gestão da saúde e não na falta de recursos

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O Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP continua a reunir, no evento Eleições 2018: Propostas para o Brasilrenomados especialistas para debater propostas sobre temas essenciais para o desenvolvimento do País. A série servirá de base para a elaboração de uma carta aos candidatos das eleições presidenciais. O quinto e último encontro acontece nesta sexta no IEA e tratará sobre saúde. A fim de esclarecer o conteúdo que será apresentado, o Jornal da USP no Ar conversou com o doutor Drauzio Varella, participante do debate e médico oncologista formado pela USP.

Primeiro, o médico comenta sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), o qual considera a maior revolução da história da medicina no Brasil. Mesmo com os problemas, ele é o único sistema do mundo que oferece saúde gratuita em um país com mais de 100 milhões de habitantes. Sua necessidade de aprimoramento é um trabalho que deve ser desempenhado por várias gerações, afirma o médico.

Uma das complicações da saúde brasileira é como organizar o sistema de saúde público com o de saúde suplementar, de iniciativa privada. Drauzio Varella explica que, no Chile, por exemplo, os cidadãos usuários de um dos sistemas não têm direito ao outro, ou seja, cada um funciona separadamente. No Brasil, o caso é diferente, mesmo que grande parte da população utilize planos de saúde, isso não impede a busca das pessoas pelo SUS como alternativa, algo difícil em termos de administração e gestão.

Considerando a grande desigualdade do País, se aqueles que possuem condição de pagar pelo atendimento privado deixassem de utilizar o sistema público, a demanda do SUS seria aliviada. Porém, o médico levanta outra questão: as políticas públicas feitas apenas para os necessitados não funcionam. Os programas de vacinação e transplante brasileiros e a política nacional de combate à Aids, exemplos dados pelo especialista, compõem iniciativas universais e são grandes modelos de saúde no âmbito internacional.

A solução para a saúde do Brasil não se respalda apenas em quantidade de verba, mas no modelo de gestão utilizado e alternativas quanto à junção de iniciativa pública e privada, declara Drauzio Varella. Além disso, o oncologista ressalta a necessidade de intervenções preventivas contra doenças crônicas – complexas e com tratamentos caros. A prevenção é fundamental, pois os brasileiros envelhecem mal por conta do sedentarismo e falta de bons hábitos alimentares, comportamento que contribui para metade da população de 60 anos ser hipertensa e pelo menos 14 milhões de pessoas terem diabete.

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