“Diálogos na USP” debate a saúde pública no Brasil

Os problemas de saúde estão intimamente relacionados ao modo de vida que construímos como sociedade, diz especialista

 

Uma das mais fortes reivindicações da população brasileira diz respeito à saúde pública. A falta de médicos (que o programa Mais Médicos ainda não solucionou) e a carência de remédios no Sistema Único de Saúde, além do seu subfinanciamento, ligam o sinal de alerta. Para se ter uma ideia, por ano a União, estados e municípios investem perto de R$ 240 bilhões no setor de saúde, para atender 150 milhões de brasileiros.

Parece muito, mas não é. A taxa de gasto público com saúde no Brasil é um pouco mais da metade da média mundial: 6,8% contra 11,7%, segundo dados da OMS. A isso podemos ainda incluir uma diminuição na cobertura vacinal no País e o retorno de doenças que já considerávamos erradicadas, como o sarampo. Além, é claro, da maior incidência daquilo que muitos chamam de “doenças da moda”, como depressão e ansiedade.

Como fazer para combater todos esses malefícios ? Como a saúde pública brasileira deve agir para reverter esse quadro preocupante?

Para falar sobre “A saúde no Brasil”, o Diálogos na USP recebeu Marília Louvison, médica sanitarista, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP, conselheira da Associação Paulista de Saúde Pública e da Abrasco, Associação Brasileira de Saúde Coletiva

A professora destacou que os problemas atuais de saúde estão intimamente relacionados com o modo de vida que construímos como sociedade. “Isto tudo está diretamente relacionado com a nossa capacidade de produzir possibilidades de alimentação saudável e como as nossas cidades são adequadas para atividade física”, esclarece a professora.

À direita, Marília Cristina Prado Louvison – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Louvison também comentou sobre a volta de doenças como o sarampo e a sífilis. Para ela, a diminuição da cobertura de vacinas é uma das grandes causas desse problema: “Há muito tempo que a gente fala que uma cobertura muito baixa é perigosa. Uma cobertura homogênea também é importante, todo mundo tem que estar com uma boa cobertura vacinal”. Outro possível ponto agravante apontado é que “as gerações anteriores, muito frequentemente, foram imunizadas pela própria doença, enquanto as novas gerações dependem das vacinas”.

 

O Diálogos na USP tem apresentação de Marcello Rollemberg, produção da Editoria de Atualidades do Jornal da USP e da Rádio USP e trabalhos técnicos de Rafael Simões.

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