Estratégia Nacional de Inovação não contribui com o desenvolvimento da indústria

Mario Sergio Salerno avalia a estratégia publicada pelo governo federal como “um amontoado de coisas, algumas delas sem pé nem cabeça”

 10/08/2021 - Publicado há 4 meses
A inovação pode se dar no processo produtivo, como a introdução de máquinas, ou na reorganização da mão de obra – Fotomontagem sobre reprodução Pixabay, Freepix e Wikipedia

A indústria brasileira foi tema de discussão entre especialistas em uma reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), organizada pela Associação Brasileira de Engenharia de Produção (Abepro). No encontro, foram discutidos assuntos como digitalização e transformação das empresas.

Segundo Mario Sergio Salerno, professor do Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica (Poli) da USP, é esperado que haja uma diminuição no setor, mas esse não é o grande problema. “A indústria que continua perde protagonismo no cenário internacional, esse é o ponto”, afirma ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição.

“Inovação é a introdução de alguma coisa nova, mas que tem algum impacto”, explica o professor. Isso pode ser feito no processo produtivo, como a introdução de máquinas ou a reorganização da mão de obra, e também no modelo de negócios, que são os métodos utilizados pela empresa para valorizar seu produto. “A inovação pega várias pontes, pode ser o produto, o processo, a logística, a forma de organizar e o modelo de negócios.”

Segundo Salerno, a indústria brasileira tem a característica de produzir majoritariamente commodities industriais, produtos padronizados e de qualidade semelhante que disputam o mercado por meio do preço e das condições de entrega, não pelo produto em si. 

Esse formato foi analisado em um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). As empresas foram classificadas conforme a estratégia competitiva. O primeiro grupo é o das que inovam em seu processo produtivo e também diferenciam o seu produto. Existem também as empresas que inovam, mas não diferenciam os produtos e, por fim, as empresas que não inovam nem diferenciam seus produtos.

Em julho de 2021, foi publicada a Estratégia Nacional de Inovação, do governo federal. “Essa estratégia é um amontoado de coisas, algumas delas sem pé nem cabeça”, avalia Salerno. Ele cita, como exemplo, uma ação para customizar cursos para o Ministério da Saúde, com um orçamento de R$ 75 bilhões previsto para dois anos. “Não é porque eu coloco um objetivo que ele vai ser atingido, […] essa estratégia não ajuda muita coisa”, conclui.


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