‘Verdejar ante a ruína’ é uma resposta de antropólogas da USP ao ecocídio no Brasil

Lançada pelo Centro de Estudos Ameríndios da USP, publicação on-line explora a vida vegetal e suas relações com múltiplas espécies; linguagem foge do padrão acadêmico

 29/11/2021 - Publicado há 2 meses
Queimada vista em meio a área de floresta próxima à capital Porto Velho – Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real

 

O livro Verdejar ante a ruína – Escritos para cultivar novos mundos começa com o manifesto de uma erva daninha que, falando em primeira pessoa, conta como teima em habitar a urbanidade. Mas o contexto desses escritos não é somente o da cidade. Eles percorrem o Alto Xingu, a Terra Indígena Suruwaha, sítios arqueológicos na floresta amazônica, o vale do Mucuri e tantos outros Brasis, propondo “revitalizar o pensamento e semear outros futuros”. A publicação já está disponível para download e o lançamento oficial acontece no dia 30, às 19h, com transmissão ao vivo pelo canal do Youtube da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

O e-book é dedicado ao tema das plantas e suas relações com humanos, não humanos e mundos. De acordo com as organizadoras, a ideia surgiu, na metade do ano passado, como forma de pensar os acontecimentos mundiais e, ao mesmo tempo, divulgar pesquisas e reflexões para um público não especializado. Organizada a distância durante a pandemia e sem que autoras e autores se conhecessem pessoalmente, a publicação foi uma forma de ecoar os debates da disciplina Interações Vegetais: Relações entre humanos, plantas e outros não humanos no debate antropológico contemporâneo, ministrada pela professora Marta Amoroso, Karen Shiratori e Ana Gabriela Morim de Lima, no Departamento de Antropologia da FFLCH em 2020.

Provocativo, o livro é também uma resposta aos ataques direcionados aos povos indígenas e tradicionais, às ciências e ao livre pensar, projeto agravado durante o atual governo e comum a diferentes expressões da extrema direita na América Latina. Embora entregue à vida vegetal um papel de protagonismo, as organizadoras articularam antropologia, arqueologia, ecologia, biologia, botânica, artes visuais e vivências de povos indígenas e tradicionais para dissolver a rigidez das fronteiras disciplinares.

Anai G. Vera Britos, Bianca Barbosa Chizzolini e Rafaela Coelho de Moraes Pitombo, organizadoras do livro Verdejar ante a ruína – Escritos para cultivar novos mundos – Imagens: arquivo pessoal

 

“Inspiradas pela resistência e desobediência próprias às plantas, convidamos vocês ao exercício cosmopolítico de desconfiar das definições estreitas e pouco férteis de vida e ‘agência’ (capacidade de agir e produzir efeitos no mundo) que nos trouxeram ao atual cenário de ecocídio e destruição sistemática dos modos de vida dos povos indígenas e tradicionais”, assinam as autoras na apresentação do livro eletrônico.

Organizado em cinco eixos temáticos subdivididos em “Agência Vegetal”, “Antropização de Paisagens”, “Poéticas Vegetais”, “Ecocídio” e “Atualizações Coloniais”, cada uma das partes é composta de trabalhos que apresentam e abordam estas questões a partir de engajamentos afetivos e perspectivas teóricas distintos.

Para assistir ao lançamento do livro, é possível ativar um lembrete no Youtube:

Verdejar ante a ruína – Escritos para cultivar novos mundos (2021)
Centro de Estudos Ameríndios (CEstA-USP)
Organização: Anai G. Vera Britos, Bianca Barbosa Chizzolini e Rafaela Coelho de Moraes Pitombo
Autores: Anai G. Vera Britos, Anais-karenin, Bianca Barbosa Chizzolini, Claudia Magnani & Roberto Romero, Daniel Cangussu, Giovani Paiva, Jardel Jesus Santos Rodrigues, Jean Tible, Karen Shiratori, Laura Furquim, Marina Vanzolini e Yuri Winkler, Ronaldo Andrade e Tânia Stolze Lima.
Páginas: 178
Downloadhttps://cesta.fflch.usp.br/node/1531

 


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