Em São Paulo, projeto da USP empresta insetários para escolas públicas

Coleções de insetos podem ser aproveitadas para o ensino de ciências e biologia de diferentes séries escolares

Por - Editorias: Extensão - URL Curta: jornal.usp.br/?p=200706
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Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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uem já passeou com uma criança ao ar livre sabe bem: pouca coisa prende tanto a atenção dos pequenos quanto os animais, sejam os mais simples ou os mais complexos. Um professor do Instituto de Biociências (IB) da USP, em São Paulo, criou um projeto que aproveita esse interesse natural para complementar o aprendizado.

O Insetos na Escola é um serviço gratuito que empresta coleções de insetos para professores da rede pública, que podem usá-los para trabalhar diferentes temas da biologia com alunos de todas as idades. Para solicitar, é necessário preencher um formulário agendando a data de retirada. O prazo de empréstimo é de até sete dias corridos, e o próprio professor solicitante deve fazer a retirada e depois devolver os insetários no Departamento de Zoologia do IB, no campus Cidade Universitária, em São Paulo.

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Como começou

O Insetos na Escola teve início há pouco tempo, em julho deste ano. O professor coordenador, Silvio Nihei, é responsável pela disciplina optativa de Entomologia Básica, oferecida no Departamento de Zoologia, na qual os estudantes da Universidade aprendem a coletar e identificar as ordens e famílias de insetos. “Como parte da avaliação, peço um trabalho, que é preparar uma coleção. Eles entregam uma gaveta como essa, com insetos”, diz Silvio, mostrando um dos insetários guardados no IB.

Professor Silvio Nihei mostra uma das gavetas colocadas para empréstimo – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Foi uma aluna da disciplina que deu a sugestão de levar o resultado dos trabalhos para escolas. Nos anos anteriores, desde 2016, as coleções foram doadas. Entretanto, acompanhando seu uso, o professor percebeu que esta talvez não fosse a melhor solução. “É muito complicado manter uma coleção. Se não ficar em ambiente com umidade controlada, pode criar fungos. Além disso, existem insetos que conseguem entrar e se alimentar das amostras, as chamadas pragas de coleção.” Por isso, Silvio viu os empréstimos como alternativa.

Para a coleta, os alunos vão até a Estação Biológica de Boraceia, uma região de mata atlântica administrada pelo Museu de Zoologia (MZ) da USP no município de Salesópolis, em São Paulo. Em seguida, os bichos são fixados em placas de isopor na posição mais adequada e, por fim, espera-se alguns dias até que fiquem secos, prontos para exposição no insetário. Dentre os espécimes que integram as coleções para empréstimo, há de borboletas, abelhas, besouros, mariposas e outros insetos.

 

Nas coleções, os insetos são fixados com plaquinhas de identificação; os insetários utilizados no projeto indicam também o nome popular dos bichos, facilitando seu reconhecimento - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
A diversidade dos insetos permite abordar vários temas em aula; com borboletas, é possível falar sobre metamorfose, polinização e até padrões de cores das asas - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Foto: Marcos Santos/USP Imagens

 

Na sala de aula

Por enquanto, Silvio é o único responsável pelo Insetos na Escola, mas o projeto tem o apoio institucional do Instituto de Biociências, que, quando necessário, também cede funcionários para auxiliar. Nesta fase inicial, as solicitações de empréstimos ainda são poucas e o professor consegue administrá-las sozinho, aproveitando para acompanhar mais de perto o uso das coleções.

Alunos da Escola Municipal de Educação Infantil Pero Neto observam insetário – Foto: Elineiva Novaes Moreno

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Os insetários podem ser utilizados para apresentar diferentes conteúdos em sala de aula, como alimentação, hábitos de vida, reprodução e classificação dos bichos. “É um conteúdo que pode ser trabalhado com crianças de quatro ou cinco anos ou jovens no ensino médio e superior, adaptando de acordo com a faixa etária”, diz Silvio.

Uma das ideias para expansão do projeto é elaborar material com sugestões de como as coleções podem ser aproveitadas com os alunos, dando exemplos e diretrizes para os professores. Para Silvio, a falta de recursos didáticos é um dos problemas que prejudicam a qualidade do ensino nas escolas públicas, em detrimento das escolas particulares. Nesse sentido, as universidades públicas podem atender a algumas dessas demandas com atividades de extensão.

“Por mais que os professores, coordenadores pedagógicos e diretores se empenhem e se dediquem para elevar o nível de qualidade do ensino de suas escolas, às vezes falta esse aporte que pode muito bem ser suprido e assistido pelas instituições de ensino superior, no caso aqui em particular, a USP”, conclui.

 

 

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