Alunos da USP participam de programa internacional para jovens líderes

Iniciativa norte-americana seleciona estudantes com potencial de liderança no futuro e oferece atividades de capacitação

Por - Editorias: Universidade - URL Curta: jornal.usp.br/?p=198784
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Estudantes foram selecionados em programa internacional para jovens líderes. Foto: Henrique Fontes/SEL-USP

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Um líder, normalmente, é aquela pessoa que coordena um grupo em determinado ambiente visando a alcançar grandes objetivos. Os desafios para quem escolhe essa função são enormes, tanto do ponto de vista pessoal como do profissional, e os que vislumbram assumir uma posição de liderança sabem que o percurso é longo e demanda muito preparo. Em busca de qualificação para iniciar essa caminhada, três alunos da USP em São Carlos ingressaram no Cargill Global Scholars Program (CGSP), iniciativa internacional que capacita jovens com potencial de liderança no futuro.

Por meio de seminários, orientações individuais, estudos de caso, eventos de networking, entre outras ações, o programa visa a desenvolver habilidades de pensamento crítico nos participantes, além de formar uma rede global de estudiosos e ajudar a transformá-los na próxima geração de inovadores do mundo. “Eu sempre vi a liderança como uma oportunidade de me colocar na linha de frente de um problema e sair da zona de conforto. Isso permite que você desenvolva competências que antes nem imaginava ter”, explica João Marco Barros, um dos participantes da atividade e aluno do curso de Engenharia de Computação, oferecido em conjunto pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) e pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC).

Durante o CGSP, João Marco pôde desmistificar alguns conceitos que tinha sobre liderança e adquirir novos conhecimentos. “Além de aprender a ficar mais analítico e trabalhar com números, percebi que quando você coloca as pessoas na frente de suas decisões, os resultados começam a fazer mais sentido. O programa ajudou a me reconstruir, pois eu pensava que ser líder era apenas ter uma posição de destaque e dar orientações a um grupo, mas a atuação é muito mais complexa”, diz o estudante que sonha um dia abrir uma empresa na área de tecnologia.

João Marco pretende gerenciar uma empresa de tecnologia no futuro – Foto: Henrique Fontes / SEL-USP

O jovem foi selecionado pelo programa internacional em 2017, mas possui uma relação de longa data com a função de líder. Quando ainda cursava a segunda série do ensino médio, o aluno criou um projeto social em São Bernardo do Campo (SP), sua cidade natal, para dar aulas a quem não tinha condições financeiras. Na mesma época, fundou a iniciativa IUPI, na qual angariava recursos para distribuir a instituições carentes. Hoje, além de estar no último semestre do Cargill Global Scholars Program, ele faz parte do Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos (Ismart), organização que oferece bolsas em escolas particulares de excelência e acesso a programas de desenvolvimento para jovens talentos de baixa renda.

A participação em programas de qualificação é um grande diferencial para quem sonha em mergulhar no universo da liderança, ainda mais em um cenário mercadológico cada vez mais concorrido e competitivo. Oferecido pela empresa Cargill em parceria com o Instituto de Educação Internacional (IIE), o CGSP seleciona dez estudantes de cada país habilitado a concorrer no programa. São seis no total: Brasil, China, Índia, Rússia, Indonésia e Estados Unidos. Os candidatos devem possuir bom desempenho acadêmico, estudar em áreas de interesse da Cargill e enviar cartas de apresentação pessoal e recomendação. Se forem aprovados nessa etapa, os estudantes ainda devem passar por uma entrevista. Os selecionados recebem uma bolsa de estudos, tutoria mensal de carreira e participam de atividades nacionais e internacionais.

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Existe uma fórmula para ser líder?

Diante da diversidade de perfis, visões, personalidades, temperamentos e posturas, é difícil imaginar que há um modelo pronto a ser seguido em busca da liderança. No entanto, um aspecto sobre o tema parece ser unanimidade entre os jovens da USP. “Antes de qualquer conquista ou resultado, o líder deve se lembrar de que está lidando com seres humanos”, ressalta Leandro Silva, aluno do curso de Engenharia de Computação.

Leandro Silva é diretor geral do SEMEAR, grupo da USP que desenvolve soluções na área de robótica – Foto: Arquivo pessoal

O jovem, que sonha um dia gerenciar equipes na área de educação, fala com propriedade do assunto já que vivencia experiências de liderança. Hoje, por exemplo, atua como diretor geral do SEMEAR, grupo extracurricular da USP que desenvolve soluções em engenharia mecatrônica para aplicações na robótica. Simultaneamente, Leandro coordena a área comercial da Semana da Engenharia de Computação (SenC) da Universidade, que acontecerá entre os dias 22 e 26 de outubro.

“Estar na USP é um diferencial enorme, pois podemos participar de atividades de extensão e trabalhar com pessoas incríveis, o que qualifica nosso currículo e nos faz crescer na carreira”, afirma o aluno. Selecionado em julho para ingressar no programa de jovens líderes, o estudante já participou de algumas atividades da Cargill no mês passado, quando passou uma semana em São Paulo acompanhando seminários e palestras com executivos da empresa.

Quem faz companhia a Leandro nessa jornada é Maria Luisa do Nascimento, estudante do curso de Engenharia de Computação que também foi aprovada no CGSP. Anteriormente, a jovem não vislumbrava atuar como líder, mas parece ter encontrado seu caminho na área e reconhece que o desafio é gigante. “Não basta ter apenas o conhecimento técnico, é preciso manter sua equipe engajada se quiser aspirar a algo grande. Você precisa ser um exemplo para o seu time e confiar nas pessoas que o compõem”, explica a aluna.

Atualmente, a líder gerencia um projeto de pesquisa do ADA, grupo de extensão vinculado ao curso de Engenharia de Computação que oferece aos alunos conhecimentos técnicos, administrativos e interpessoais de forma organizada, bem como valoriza a profissão de engenheiro de computação frente à sociedade e ao mercado de trabalho. Além de colaborar com o projeto, a estudante coordena a Women in Tech, atração da Semana da Engenharia de Computação que visa a promover maior representatividade feminina nas áreas de tecnologia.

Saber ouvir é uma das características de Maria Luisa que mais se encaixam com as de um líder – Foto: Arquivo pessoal

Referência dos amigos na forma como lida com as pessoas, Maria Luisa conta que uma de suas características que mais se encaixam com as de um líder é a de saber ouvir e aprender com o próximo. Nesse sentido, a estudante sugere que os futuros líderes procurem por alguém que já realizou algo diferente e se espelhem nos exemplos positivos. “Nunca iremos aprender algo novo se não tentarmos”, conclui a jovem.

Engajados com a missão de transformar a sociedade e assumir grandes responsabilidades, os estudantes da USP não se esqueceram de incentivar o surgimento de novos candidatos a líder. “Seja a mudança que você quer ver no mundo”, estimula Leandro, citando a frase do ativista Mahatma Gandhi.

Henrique Fontes / Assessoria de Comunicação do SEL-USP

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