Momento Odontologia #80: Cuidar da higiene bucal pode evitar doenças cardiovasculares

Momento Odontologia #80: Cuidar da higiene bucal pode evitar doenças cardiovasculares
Momento Odontologia - USP

 
 
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É comum ouvir que higienizar corretamente os dentes, usar fio dental e ter uma alimentação saudável podem evitar doenças bucais. Mas, além disso, ter uma boa higiene bucal pode prevenir, também, doenças em outras partes do corpo, inclusive, cardiovasculares. 

“As infecções bucais podem, sim, levar a outras doenças distantes da cavidade bucal”, afirma Adriana Sant’Anna, professora da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), ao programa Momento Odontologia desta semana. Entre os problemas citados pela professora estão doenças cardiovasculares, o nascimento de bebês prematuros e de baixo peso e a diabete. Além disso, ela destaca as doenças pulmonares obstrutivas crônicas e até o Alzheimer. 

Segundo a professora, “existem dois mecanismos pelos quais a doença periodontal pode se relacionar com as doenças sistêmicas”. Um deles é através da migração de bactérias, da boca para outras partes do corpo, onde se instalam, e dão início a uma lesão. A outra forma é quando essas bactérias presentes na boca geram um potencial inflamatório sistêmico, induzindo a secreção de mediadores inflamatórios no sangue, o que acaba levando ao agravamento de condições sistêmicas, ou até mesmo a desenvolvimento de lesões em sítios distantes da cavidade bucal. 

“O risco é maior quando o paciente tem doenças periodontais mais graves, como a periodontite avançada”, destaca Adriana, que ainda alerta sobre manter uma boa higiene bucal como essencial para a prevenção de doenças sistêmicas, aquelas que atingem outras regiões e tecidos do corpo.  “Por isso, é importante ir frequentemente ao cirurgião-dentista, se alimentar corretamente e ter também, uma condição de saúde sistêmica adequada”, ressalta. 

A endocardite é uma doença que geralmente é associada a problemas bucais. Adriana explica que ela é “uma doença infecciosa, causada por bactérias, em uma reação cruzada com os músculos do coração”. Além disso, alerta que “nem sempre ela é causada por problemas bucais” e que essa relação só é feita por causa das bactérias que colonizam a cavidade bucal e que levam a essa reação com os tecidos dos músculos cardíacos. “Mas também existem bactérias que ficam na pele, por exemplo, e que também estão associadas com a endocardite”, destaca. 

A endocardite pode apresentar riscos para os pacientes, desde que eles apresentem “alterações cardiovasculares graves, consideradas de alto risco, como o uso de válvulas cardíacas, ou pessoas que já tiveram endocardite”. Segundo Adriana, esses pacientes, considerados de alto risco, precisam ser avaliados pelo cirurgião dentista e nenhum procedimento invasivo, que gere sangramento, pode ser feito sem uma cobertura de antibiótico profilático. Apesar disso, diz, “o uso da antibioticoterapia profilática não garante que o paciente não desenvolverá a endocardite, mas pode minimizar bastante o risco”. 

Produção e Apresentação: Rosemeire Talamone
CoProdução: Alexandra Mussolino de Queiroz (FORP), Letícia Acquaviva (FO), Paula Marques e Tiago Rodella (FOB)
Edição Sonora: Gabriel Soares
Edição Geral: Cinderela Caldeira
E-mail: ouvinte@usp.br
Horário: segunda-feira, às 8h05
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS  
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