Helena Nader e Paulo Herkenhoff assumem a Cátedra Olavo Setúbal

Pela primeira vez foram escolhidos dois titulares para liderar os trabalhos da cátedra

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A cerimônia foi realizada na Sala do Conselho Universitário, no dia 28 de março – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

No dia 28 de março, a bioquímica Helena Nader e o curador de arte Paulo Herkenhoff tomaram posse como os novos titulares da Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência, do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. Os dois dividirão a tarefa de conduzir as atividades da Cátedra durante o ano de 2019.

“A decisão inédita de escolher dois catedráticos foi fantástica, porque abriu caminho para um encontro mais intenso entre a arte e a ciência, que são duas facetas da criatividade e da humanidade”, explicou o vice-diretor do IEA, Guilherme Ary Plonski.

Em seu discurso, Helena Nader defendeu que “as diferenças culturais entre ciência e arte estão deixando de existir. As artes e as ciências são os polos subjetivos e objetivos do mesmo grande empreendimento humano. Existe apenas um mundo lá fora e temos que vê-lo com uma mente sempre curiosa e cada vez mais ampla”. A saudação à nova catedrática foi feita pela professora do Instituto de Biociências, Regina Pekelmann Markus.

Já Paulo Herkenhoff lembrou a relação entre a educação, a arte, a sociedade e a política. “Esse tempo que vai chegando demandará novas estratégias, e será necessário organizar melhor a sociedade civil em favor da cultura. A arte é uma reserva moral da sociedade”, afirmou Herkenhoff, que foi saudado pelo empresário e membro do Conselho do Museu de Arte do Rio de Janeiro, Luiz Chrysostomo de Oliveira Filho.

Também participaram da cerimônia o coordenador da Cátedra, Martin Grossmann, e o diretor do Instituto Itaú Cultural, Eduardo Saron, além de dirigentes da Universidade, diretores, pesquisadores, representantes de órgãos governamentais e instituições ligadas à cultura e à ciência.

“A instituição de cátedras com essa nova estrutura permite que a comunidade da USP tenha a oportunidade de interagir melhor com a realidade externa, e essa interação é muito rica e produtiva. Cada vez mais se mostra necessário defender a universidade pública gratuita daqueles que se sentem incomodados com sua atuação, e para isso é essencial o apoio da sociedade. As boas universidades de pesquisa do mundo são aquelas que estimulam as pessoas a pensar”, afirmou o reitor Vahan Agopyan.

Representando a família de Olavo Setúbal, sua filha, Maria Alice Setúbal, lembrou que “ele tinha a capacidade de dialogar com o diferente, ele acreditava que o mundo tinha de ser construído por meio de debates de ideias. No momento atual, em que o conhecimento está sendo tão desvalorizado e há tantas intolerâncias e dificuldades de diálogo, é muito significativo que a Cátedra busque trazer a arte e a ciência para valorizar o conhecimento”.

Cátedra Olavo Setúbal

Ligada ao Instituto de Estudos Avançados, a Cátedra é resultado de uma parceria com o Itaú Cultural e tem como missão trazer para a Universidade a discussão sobre a cultura no campo expandido, bem como seu papel como agente de mediação e transformação social.

Em seus dois primeiros anos de atividades, a Cátedra Olavo Setúbal de Arte, Cultura e Ciência abordou as artes e a cultura de formas distintas. Com o embaixador Sérgio Paulo Rouanet, seu primeiro titular, tratou de questões filosóficas sobre a cultura a partir da matriz iluminista. O segundo titular da Cátedra, o arquiteto Ricardo Ohtake, tratou do funcionamento do sistema cultural, do debate sobre a gestão pública e privada da cultura e correspondentes políticas culturais a partir do final dos anos 1940.

Em 2018, sob a liderança da educadora e ativista social Eliana Sousa Silva, a cátedra voltou-se para a necessidade de reconhecimento da produção artística, social e econômica das periferias. “Periferia é potência. Meu desafio à frente da cátedra foi o de contribuir para a reflexão da interação da Universidade com a sociedade, a partir das percepções e representações da comunidade universitária com as comunidades do Jardim São Remo, Jardim Keralux e da Vila Guaraciaba, localizadas no entorno da Cidade Universitária e da Escola de Artes, Ciências e Humanidades”, afirmou a educadora.

Apesar de deixar a liderança da Cátedra, Eliana continuará desenvolvendo seu trabalho como professora convidada do Instituto de Estudos Avançados.

A catedrática Helena Nader - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
O catedrático Paulo Herkenhoff - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
O reitor Vahan Agopyan - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
A socióloga Maria Alice Setubal - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
A ex-titular Eliana Sousa Silva - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
O vice-diretor do IEA, Guilherme Ary Plonski - Foto: Marcos Santos/USP Imagens
O diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron - Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Quem são

Helena Nader é professora de biologia molecular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidiu a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) de 2011 a 2017. É membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC), da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp) e da Academia Mundial de Ciências para o Avanço da Ciência nos Países em Desenvolvimento (TWAS, na sigla em inglês).

Paulo Herkenhoff trabalhou como diretor do Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro, curador-chefe no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, curador na Fundação Eva Klabin Rappaport, curador adjunto no Departamento de Pintura e Escultura do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) e diretor cultural do Museu de Arte do Rio (MAR).

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