Museu Paulista e Sesc Ipiranga apresentam “Papéis Efêmeros”

Até 26 de agosto, mostra apresenta itens que preservam a memória gráfica do cotidiano

Por - Editorias: Cultura
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A exposição Papéis Efêmeros vem atraindo público diversificado, que inclui estudantes, designers e publicitários – Foto: Cecília Bastos/ USP Imagens

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Alguém se lembra do drops Dulcora? Aquele com a embalagem laminada toda colorida, com balas quadradas verdes, amarelas, azuis, vermelhas, embaladas uma a uma. E a cartilha Caminho Suave, escrita pela educadora Branca Alves de Lima, lançada em 1948 e que, no decorrer de meio século, ensinou 40 milhões de brasileiros a ler e escrever? Tem ainda o índio Caramuru, que embalava as caixas de biribas, estrelinhas, rojões e fogos de artifício da tradicional fábrica de fogos de artifício fundada em 1915, em Jacareí (SP).

Quem não se lembra, mas já ouviu falar, vai viajar no tempo ao visitar a mostra Papéis Efêmeros, Memórias Gráficas do Cotidiano, no pátio de exposições do Sesc Ipiranga, em São Paulo. São mais de 500 rótulos e embalagens que pertencem ao acervo do Museu Paulista da USP, o conhecido Museu do Ipiranga, que, embora fechado para reforma e restauração até 2022, vem desenvolvendo exposições e atividades educativas em diversos espaços da cidade.

A clássica didática da alfabetização através da memória gráfica é mostrada na exposição – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

A curadoria é da professora Solange Ferraz de Lima, diretora do Museu Paulista, e do professor Chico Homem de Mello, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. “São peças gráficas que apresentam hábitos e costumes dos brasileiros entre os séculos 19 e 20”, explica Solange. “A palavra ‘efêmero’ é um termo de origem grega e significa coisas para durar um dia ou pouco tempo. Papéis efêmeros cumprem um papel importante, de comunicar, de informar, de emocionar, seduzir para o consumo.”

Não dá para imaginar um mundo sem rótulos.”

A mostra vem atraindo um público diversificado. Há os designers, publicitários, arquitetos, educadores, artistas, profissionais, pesquisadores e estudantes. Mas o interessante é a visita de pessoas atraídas pelas recordações e, especialmente, a curiosidade que desperta entre as crianças. “São muitas as funções lúdicas, os ritos de passagem que a mostra destaca”, observa Solange. “O que as peças têm em comum são o fato de o design, muitas vezes, não ser assinado e o uso de técnicas que já desapareceram, como a litografia e a tipografia, além de essas peças lidarem com vários sentidos efêmeros, permitindo uma reflexão sobre o tempo.”

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A cartilha Caminho Suave: meio século de alfabetização – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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A maior parte do acervo vem da Coleção Egydio Colombo, que foi doada para o Museu Paulista em 2003. Na exposição, há um documentário com o depoimento do arquiteto Egydio Colombo Filho, formado pela FAU, contando como começou a sua coleção de rótulos, embalagens e etiquetas. O documentário – intitulado Imagine um Mundo sem Rótulos, dirigido pela historiadora Ana Carolina de Moura Delfim Maciel, resultado de seu pós-doutorado, realizado em 2011 no Museu Paulista – mostra o fascínio com que os rótulos, os desenhos e as fotografias vão integrando o imaginário de diversas gerações. “Foi um alívio muito grande quando doei o acervo ao Museu do Ipiranga, um lugar especial na minha memória. Fiquei muito, muito feliz por estar dividindo esse legado”, observa Colombo Filho no documentário (disponível neste link). “Não dá para imaginar um mundo sem rótulos.”

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O drops Dulcora, com balas coloridas embaladas uma a uma, faz parte do imaginário popular – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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Para a exposição Papéis Efêmeros: Memórias Gráficas do Cotidiano, o curador Chico Homem de Mello selecionou papéis de balas, santinhos católicos, rótulos de aguardentes, caixas de fósforos e embalagens de maços de cigarros, entre outros itens. “Nós fomos reunindo o material completado por coleções particulares. E, dessa forma, expandimos o sentido de efêmero”, explica o professor. “Além dos itens de descarte rápido, estamos trazendo mídias que desapareceram, como as partituras com capas ilustradas utilizadas em saraus ocorridos entre as décadas de 1910 e 1930, assim como catálogos de moda do Mappin e cadernos de caligrafia.”

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A exposição Papéis Efêmeros apresenta 500 rótulos e embalagens que pertencem ao acervo do Museu Paulista da USP – Foto: Cecília Bastos /USP Imagens

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A exposição ocupa uma área externa do prédio do Sesc Ipiranga, muito bem organizada, que permite ao visitante observar a coleção por temas. Os itens foram agrupados nos seguintes eixos: Consumo, Educação e Cultura. Há também dois eixos transversais: Técnicas de Impressão e Design. O público poderá refletir sobre a passagem do tempo, cada vez mais célere. Interessante ver, por exemplo, o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa em uma das vitrines. Consultar e folhear o livro amarelo impresso em fins de 1975 já é uma ação do passado.

A exposição Papéis Efêmeros: Memórias Gráficas do Cotidiano fica em cartaz até 26 de agosto, de terça a sexta-feira, das 9h às 21h30, aos sábados, das 10h às 21h30, domingos e feriados, das 10h às 18h30, no Sesc Ipiranga (Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga, em São Paulo). Entrada grátis. Mais informações podem ser obtidas no site do sesc.

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