Você e o Pesquisador: uma conversa com Marcia Rizzutto

Pesquisadora utiliza conhecimentos da física para investigar a história de obras de arte e artefatos históricos. Evento é nesta quarta-feira, às 11 horas

Editorias: Universidade - URL Curta: jornal.usp.br/?p=360115

Muitos cientistas utilizam a física para estudar a história do universo, das galáxias e das estrelas. Apontam seus telescópios para algum objeto no espaço, capturam a luz emitida por ele, e utilizam as características espectrais dessa luz para deduzir uma série de informações sobre aquele objeto — composição química, temperatura e idade de uma estrela, por exemplo. A professora Marcia Rizzutto, do Instituto de Física da USP, faz essencialmente a mesma coisa, só que com obras de arte.

Ela será a convidada do próximo evento da série Você e o Pesquisador, que acontece nesta quarta-feira, 7 de outubro, das 11h às 12h, no Canal USP do YouTube.

Especialista em física nuclear aplicada, e apaixonada pelas artes, Marcia utiliza seu conhecimento sobre átomos e moléculas para reconstruir a história de obras de arte e dos artistas que as produziram. Por exemplo, utilizando fluorescência de raios X ou câmeras de infravermelho para identificar os pigmentos originais usados numa pintura, ou enxergar os traçados originais de um desenho por baixo da tinta — tal qual um astrofísico que utiliza diferentes técnicas e espectros para enxergar o que está por trás de uma nuvem de gás no espaço, ou escondido no centro de uma galáxia. 

Informações que, além do seu valor histórico, são cruciais para orientar trabalhos de restauração, como o que foi feito recentemente na tela Independência ou Morte, de Pedro Américo, no Museu Paulista. “Olhamos para um objeto hoje e queremos entender qual é a história dele. Para a preservação do patrimônio histórico e cultural, isso é muito importante”, afirma a professora, que desenvolve projetos com diversos museus, dentro e fora da USP, como o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e o Museu Casa de Portinari. Além de obras de arte, seu grupo tem experiência também com análises de artefatos históricos, arqueológicos e paleontológicos.

Outro projeto importante, que ganhou um site próprio, é o de restauração e digitalização do caderno de Aimé-Adrien Taunay, jovem francês que produziu um grande acervo de ilustrações da natureza e da sociedade brasileira no século 19. Por meio da técnica de refletografia de infravermelho (IRR) foi possível identificar várias anotações feitas a lápis, invisíveis a olho nu, por baixo das escritas finais, feitas com tinta ferrogálica. Veja alguns exemplos aqui: https://bit.ly/3nvb3RU

A série Você e o Pesquisador é uma iniciativa da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, vinculada à exposição virtual Você e a USP – A Universidade de São Paulo sempre presente na sua vida, que busca mostrar a contribuição e o impacto das pesquisas científicas produzidas pela USP para a sociedade brasileira ao longo dos anos. As entrevistas acontecem a cada 15 dias e as gravações ficam disponíveis no Canal USP.

 

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