Ismail Xavier é agraciado com título de Professor Emérito

Escola de Comunicações e Artes (ECA) concede a honraria ao professor nesta sexta-feira, dia 17

Por - Editorias: Cultura
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Um dos mais importantes pesquisadores brasileiros do cinema, Ismail Xavier é autor de obras como Sétima Arte: Um Culto Moderno e Alegorias do Subdesenvolvimento: Cinema Novo, Tropicalismo, Cinema Marginal – Foto: Reprodução/IEA

Nesta sexta-feira, dia 17 de novembro, o professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP Ismail Xavier recebe o título de Professor Emérito. Além da cerimônia de concessão do título, um colóquio em sua homenagem reúne professores e ex-orientandos para discutir sua importância na pesquisa em cinema no Brasil.

“É um reconhecimento a toda a trajetória dele, a contribuição dele para o pensamento cinematográfico, não só no âmbito da USP, mas do Brasil”, comenta o professor da ECA Eduardo Morettin, ex-orientando de Xavier. “É uma forma de a Universidade reconhecer esse mérito, essa trajetória de alguém que contribui para qualificar a Universidade, fazer a Universidade ser o que ela é.”

Ismail Norberto Xavier nasceu em Curitiba, em 1947. Como primeira graduação, escolheu Engenharia Mecânica na Escola Politécnica da USP. Na época, frequentava cineclubes e chegou a organizar exibições de filmes para os colegas de curso. Logo essa paixão falou mais alto e, terminado o curso de Engenharia, entrou na graduação em Cinema da ECA.

A partir daí, jamais parou de pensar e pesquisar filmes. Em 1971, já era professor na escola onde se formou. Orientado por Paulo Emílio Salles Gomes (1916-1977), tornou-se mestre em Teoria Literária com um trabalho sobre a transformação do cinema em arte. Em seguida, concluiu o doutorado analisando o estilo de Glauber Rocha em seus primeiros filmes, sob orientação do professor e crítico literário Antonio Candido (1918-2017).

Seu Ph.D. em Cinema Studies veio em 1982 pela Graduate School of Arts and Science, da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, onde também realizou seu pós-doutoramento em 1986. Em 1993, publicou sua tese de livre-docência Alegorias do Subdesenvolvimento: Cinema Novo, Tropicalismo, Cinema Marginal.

O professor da USP e crítico de cinema Ismail Xavier – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Ismail Xavier também passou pela Universidade de Nova York como professor visitante em 1995. Depois, esteve nas Universidades de Iowa (1998) e de Chicago (2008), também nos Estados Unidos, na Sorbonne, na França (1999), e na Universidade Nacional de La Plata, na Argentina (2009). Em paralelo, desde 1977 integra o conselho consultivo da Cinemateca Brasileira.

Dentre suas pesquisas, destacam-se os estudos sobre Glauber Rocha e D. W. Griffith. Entre seus livros mais conhecidos, além da livre-docência, estão O Discurso Cinematográfico: a Opacidade e a Transparência, O Cinema Brasileiro Moderno e Sertão Mar: Glauber Rocha e a Estética da Fome.

Todas essas décadas de pesquisa renderam prêmios ao professor, como a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura (2012) e o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro da Academia Brasileira de Cinema (2013).

Nesta sexta-feira, as atividades em agraciamento ao docente começam às 9h30, com o colóquio O Cinema Pensado: Homenagem a Ismail Xavier. Professores e ex-orientandos se juntam para destacar a importância do trabalho de Xavier na pesquisa em cinema no Brasil e sua contribuição em diferentes campos do conhecimento.

Estarão presentes no colóquio o professor, ex-secretário municipal de Cultura e ex-diretor da Cinemateca Brasileira Carlos Augusto Calil, da ECA, o professor, músico e compositor José Miguel Wisnik, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, a professora do Departamento de Artes Plásticas da ECA Sonia Salzstein e o professor de Crítica e Dramaturgia e diretor do grupo teatral Companhia do Latão, Sérgio de Carvalho, também da ECA.

Para falar do papel de Xavier na formação de pesquisadores, ex-orientandos assumem a palavra.

“Ele sempre foi uma pessoa muito atenta ao trabalho de orientação”, comenta Eduardo Morettin. “Sempre muito presente e, ao mesmo tempo, uma figura muito aberta a temas que não necessariamente dialogavam com os objetos de pesquisa dele.”

Para Morettin, a atuação de Xavier como orientador se pauta pela generosidade intelectual, acolhendo pesquisas que alargam seu campo de interesse e extravasam os limites do estudo cinematográfico.

“Ele foi fundamental para que eu conseguisse chegar aos resultados”, prossegue Morettin, “e isso se deve muito a essa capacidade de diálogo e essa vontade de ampliar os horizontes, sempre tendo como eixo a análise fílmica.”

O colóquio O Cinema Pensado: Homenagem a Ismail Xavier acontece nesta sexta-feira, dia 17, das 9h30 às 16h30, no Auditório Paulo Emílio da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP (Avenida Professor Lúcio Martins Rodrigues, 443, Cidade Universitária, São Paulo). A cerimônia de concessão do título de Professor Emérito começa às 17 horas, na Sala da Congregação da ECA.

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