Grupo de percussão da USP faz apresentações virtuais na pandemia

Formado por estudantes de música, o Percussivo USP se reinventa para manter atividades durante a quarentena

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Dentre os múltiplos desafios que a covid-19, a pandemia, o distanciamento físico e a quarentena impuseram às pessoas está a continuidade das atividades artísticas. Com a proibição de aglomerações, profissionais da cultura de diferentes áreas tiveram de se reinventar com a ajuda da internet. Esse é o caso do Percussivo USP.

Formado por estudantes do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, o Percussivo USP vem criando e disponibilizando conteúdos especialmente no Facebook. São vídeos de apresentações solo ou coletivas feitos em casa, produzidos com o auxílio de softwares de interação musical.

O professor Ricardo Bologna, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP – Foto: Reprodução

Em um deles, Renan Ladislau faz um solo de Música para Pedaços de Madeira, do compositor norte-americano Steve Reich. Em outro, ele se junta a Christopher Alex, George Ferreira e Giulia Miglioranza – mas cada um em sua casa – para uma versão de Story, o segundo movimento de Living Room Music, clássico do músico também norte-americano John Cage (1912-2012), que propõe música com objetos domésticos. Ex-integrantes do grupo também participam da iniciativa virtual, como em Musique de Table, uma coreografia de mãos composta pelo belga Thierry de Mey.

Segundo o professor da ECA Ricardo Bologna, diretor artístico e pedagógico do grupo, a seleção das músicas levou em conta a facilidade da interpretação dadas as condições da quarentena, com cada artista isolado em sua casa. “Normalmente, músicas com tempo mais estável e fixo são mais fáceis de fazer, porque utilizamos o metrônomo. É basicamente isso”, explica Bologna.

 


Renan Ladislau interpreta Música para Pedaços de Madeira, de Steve Reich

Passagem obrigatória

O Percussivo USP surgiu em 2007, com a chegada de Bologna à ECA e a criação do curso de bacharelado na área. “A ideia era ter um grupo formado pelos alunos do bacharelado em Percussão”, conta o professor. “Nós temos que ter uma atividade de música de câmara. Os percussionistas precisam tocar entre si e também com outros músicos não percussionistas.”

Bologna explica que a participação no grupo é obrigatória. No primeiro ano do curso os estudantes passam a integrá-lo e permanecem até a formatura. Alguns já ficaram até mais tempo, de acordo com a disposição pessoal. Por isso, o Percussivo USP já teve diversas formações ao longo da existência. Hoje, além de Christopher, George, Giulia e Renan, também participam do grupo Débora Vieira, Nath Calan e Marcelo Fogaça.


Story, segundo movimento de Living Room Music, de John Cage

Nestes 13 anos de trajetória, o Percussivo USP coleciona apresentações no Festival de Percussão de Uberlândia (MG), no Festival de Serra Negra (SP), no Centro Cultural São Paulo (CCSP), no Museu de Arte de São Paulo (Masp), no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, no Memorial da América Latina e no Sesc.

“Uma das particularidades do ensino e do aprendizado da percussão é que são vários instrumentos”, comenta Bologna. “O aluno tem que dominar a técnica de cada um deles e cada instrumento tem sua peculiaridade.”

De acordo com o professor, a percussão passou a receber atenção dos compositores eruditos ocidentais a partir do início do século passado, com o incremento da interação cultural entre os países. “No começo do século 20 houve uma grande internacionalização da cultura através das feiras mundiais de exposição. Os compositores passaram a ter contato com instrumentos de percussão asiáticos, africanos e latino-americanos, se interessaram pelo som e passaram a criar músicas para eles.”

Já na música popular, a percussão sempre existiu, afirma. “A percussão faz parte da música popular desde seus primórdios, não só das músicas folclóricas, mas também da música popular como a MPB.” Seja a bateria do rock, sejam os famosos instrumentos latinos, ela sempre esteve por perto e por todo canto. “É uma categoria de instrumentos totalmente vinculada à música folclórica, à música étnica e à música popular”, finaliza Bologna.

Musique de Table, de Thierry de Mey

 

As atividades do Percussivo USP podem ser acompanhadas na página do grupo no Facebook (clique aqui).

 

 

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