Ciência brasileira tem “escolhas trágicas” pela frente

Escassez de recursos decorrente da pandemia obrigará pesquisadores a fazer opções duras sobre o que continuar pesquisando, prevê a cientista social Marta Arretche, da FFLCH-USP

A ciência brasileira está “dando um show” no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus, fornecendo respostas rápidas e eficientes para diversas demandas emergenciais da sociedade e do poder público. Mas o cenário que se desenha adiante é preocupante: a retração econômica deverá levar a uma redução ainda maior dos recursos disponíveis para pesquisa no País, forçando os cientistas a fazer “escolhas trágicas” sobre quais linhas de pesquisa deverão ser mantidas, e quais precisarão ser abandonadas, prevê a cientista social Marta Arretche, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).

“Temos que seguir caminhando, mas vamos ter que escolher o que vai ficar no barco ou não. Acho que nós conviveremos um bom tempo com escolhas trágicas; quase escolhas de Sofia”, afirmou Marta. “Teremos que, como comunidade científica, fazer uma discussão muito séria sobre o que nós queremos preservar e o que nós queremos salvar.”

Professora titular do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e ex-diretora do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), Marta foi a segunda convidada da série Você e o Pesquisador, uma iniciativa da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, que está realizando debates quinzenais com pesquisadores da Universidade. Os eventos são transmitidos ao vivo e permanecem à disposição no Canal USP do YouTube. A ideia é mostrar como as pesquisas feitas na instituição geram resultados práticos para a sociedade. 

“A discussão sobre o que é relevante não é trivial”, acrescentou a professora. “O critério do que é relevante ou não depende de ordenamento de preferências que os indivíduos têm; e eu acho que a nossa situação vai ficar tão dramática que teremos de fazer escolhas entre questões que são igualmente relevantes. Nem tudo que é relevante nós vamos conseguir salvar, lamentavelmente.”

Assista à íntegra do evento:

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