Aulas de biologia celular e molecular sobre novo coronavírus e covid-19 ganham as redes sociais 

Série de vídeos, produzida por alunos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, são exibidas no Instagram 

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Alunos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP usam o módulo de Biologia Celular e Molecular do curso de graduação em Farmácia para explicar a covid-19, através de uma série de vídeos publicados no Instagram da faculdade. 

A divulgação não fazia parte dos objetivos dos professores Nádia Monesi e Gustavo Goldman, responsáveis pelo módulo oferecido e obrigatório aos alunos matriculados no segundo ano do curso. “Este ano, percebemos imediatamente a importância da pandemia e resolvemos envolvê-los mais no assunto covid-19, enfatizando diferentes aspectos do problema, sob uma perspectiva de biologia celular e molecular”, afirma Goldman. 

Os vídeos abordam biologia molecular dos coronavírus (estrutura, genoma, principais proteínas, replicação do genoma), sequenciamento do genoma viral e RT-qPCR para detecção do vírus, ciclo de replicação viral, entrada do vírus na célula, variantes genéticas, epidemiologia, patogenia e prevenção da covid-19 e estratégias para obtenção de vacinas.

Em tempos de pandemia, além da adaptação do tema ao ensino remoto, professores e alunos descobriram novos desafios, como o  tempo de andamento das atividades. “Os alunos tiveram tempo para desenvolver roteiros de qualidade e os professores, tempo para mais ciclos de correção dos roteiros. O resultado final foi um conjunto de vídeos com tema atual, que tem significado para todos neste momento e que estão corretos do ponto de vista científico”, comemora a professora Nádia, destacando a participação da pós-doutoranda Patrícia Alves de Castro Silva, nos ciclos de correção, que tornaram o material claro e preciso.

Os resultados surpreenderam e os professores buscaram apoio do grupo de divulgação científica da FCFRP, coordenado pela professora Carolina Patrícia Aires Garbellini, para a divulgação do material no Instagram da unidade, o que, segundo Nádia, exigiu cuidado extra na correção do material produzido pelos alunos. “Além de realizar no mínimo dois ciclos de revisão dos roteiros, nós também verificamos os vídeos finais quanto à exatidão das informações apresentadas.” 

Em muitos casos, os professores contam que os alunos realizaram modificações nos vídeos após a entrega da versão final para que ficassem adequados para para um público mais amplo. “O desafio de produzir material educativo para as redes sociais é o mesmo de dar aulas presenciais, a precisão e a clareza da informação”, diz o professor Goldman.

A série A Biologia Celular e Molecular nos Tempos de Coronavírus tem 14 vídeos, incluindo a abertura. No último  a pós-doutoranda Patrícia relata sua participação na produção dos vídeos, dentro do Programa de Capacitação Didática em Atividades dos Cursos de Graduação da USP, sua primeira experiência como educadora. Os episódios da série são exibidos às segundas, quartas e sextas -eiras e o último será divulgado no dia 17 de agosto. A série pode ser conferida aqui.  

Estratégia de ensino e ferramenta de avaliação

Os professores Nádia Monesi e Gustavo Goldman já utilizam vídeos como estratégia de ensino e ferramenta de avaliação desde 2018. Contam que até 2016 as disciplinas de Biologia Molecular e de Biologia Celular eram oferecidas separadamente, mas com a nova matriz curricular implantada na FCFRP a partir de 2017; os temas foram integrados, o que resultou no Módulo de Biologia Celular e Molecular, obrigatório para os alunos do segundo ano do Curso de Farmácia. “Resolvemos propor a atividade de vídeos no nosso módulo porque é uma atividade que desenvolve habilidades importantes nos alunos. Os alunos aprendem a pesquisar um tema em profundidade e a selecionar as informações relevantes e fontes de pesquisa confiáveis, que são então utilizadas para confecção dos roteiros”, conta a professora Nádia. 

A produção dos vídeos é realizada integralmente pelos alunos, o que, segundo Nádia, demanda muita criatividade, desenvolvimento da capacidade de trabalhar em grupo e a habilidade de resolver problemas. “O resultado final é um conjunto de vídeos únicos, criativos e corretos conceitualmente.”

 

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