Banda cria podcast sobre música instrumental brasileira

Iniciativa do grupo Semiorquestra, já disponível na internet, busca ajudar o público a enfrentar a quarentena

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O grupo paulistano Semiorquestra – Foto: Divulgação

Frente à situação de isolamento e cancelamento de shows devido à pandemia de covid-19, o grupo musical paulistano Semiorquestra optou por outra forma de manter a cultura em movimento, o podcast. Intitulado Som no Prato, o programa criado pela banda pretende discutir e divulgar a música instrumental do Brasil e suas diferentes vertentes, para todos que querem saber mais sobre o assunto. 

Apresentado por membros da banda, o podcast explora diferentes momentos e estilos da música instrumental brasileira, misturando uma abordagem histórica e musical e traçando uma trajetória das tradições e desenvolvimento dos diferentes estilos. Os episódios são divididos em três quadros. O primeiro é a Roda de Conversa, um debate conduzido pelos músicos da Semiorquestra Alex Huszar e Clara Kok, com participação de mais três convidados especializados nos assuntos que fazem parte do episódio. 

Esse debate é seguido pelo quadro Bom de Garfo, no qual o grupo encena a narrativa de um perfil biográfico de uma figura importante para o tema de cada episódio. Ilustrado com exemplos de músicas dos personagens apresentados, as histórias da vida e música deles são contadas de forma lúdica e bem-humorada.

O terceiro e último quadro é o Cafezinho, no qual o grupo recebe músicos para entrevistas, com foco nos estilos abordados no episódio. 

Capa do podcast Som no Prato – Foto: Reprodução

O Som no Prato já tem três dos quatro episódios de sua primeira temporada lançados. O primeiro, Chorinho com Amendoim, fala sobre o choro, um dos estilos que fazem parte da tradição da MPB. O episódio traça, no Bom de Garfo, a trajetória de Garoto, um dos mais importantes músicos do estilo, e a entrevista do Cafezinho é com Caio Cury, bandolinista e violonista que conta mais sobre sua carreira, e ainda complementa a conversa sobre Garoto, sobre o qual é especialista. 

Já o segundo episódio, Música de Concerto por Quilo, aborda a música de concerto do Brasil, começando com um papo sobre a variedade de nomenclaturas do estilo, como música erudita e música clássica. O que segue é a narração da história do compositor santista Gilberto Mendes, um inovador do estilo, que também lecionou no Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. A conversa, desta vez, é com Gretchen Miller, maestrina norte-americana radicada no Brasil. 

O terceiro episódio, Música Caipira, Pizza e Guaraná, acaba de ser disponibilizado na internet, nesta quarta-feira, dia 8. Antes desses três episódios, a banda já tinha oferecido um Aperitivo.

Para ajudar os ouvintes a explorar os estilos apresentados no podcast, a equipe do Som no Prato também disponibiliza playlists que trazem músicas para complementar os episódios aos quais elas estão associadas, além de exibir as composições citadas durante o programa. Essas playlists estão disponíveis nas plataformas de streaming, como o Youtube e o Spotify.

O motivo de todas essas analogias com comidas é que por trás do podcast está o mesmo conceito do álbum de estreia da banda, Jogos e Quitutes, lançado no ano passado. O disco procura criar diálogos entre música, jogos e comidas, sendo essa a origem não apenas do nome do programa, como também dos quadros. 

Os próximos episódios dessa temporada, todos agendados para serem disponibilizados ainda neste mês, abordarão a música caipira e as relações entre a música do Brasil e do Caribe, com todos os estilos compartilhados pelas duas culturas.

O programa Som no Prato é fruto de uma parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, que originalmente resultaria em um show da banda na inauguração da Casa de Cultura Marielle Franco, naquele município. Com o agravamento da pandemia do coronavírus no Brasil, a banda decidiu cancelar o show, e em troca, foi sugerida a criação do podcast.

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