Atividade física na adolescência pode reduzir risco de câncer colorretal no adulto

Os dados são de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Harvard e da Faculdade de Medicina da USP

A redução de risco chega a 10% na comparação com aqueles que praticaram pouca ou nenhuma atividade física nesta faixa etária
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

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Pessoas que se mantiveram ativas durante a adolescência possuem menos chance de desenvolver adenoma colorretal (pólipos que podem evoluir para câncer colorretal) na vida adulta. A redução chega a 10% na comparação com aqueles que praticaram pouca ou nenhuma atividade física nesta faixa etária. O resultado foi publicado no dia 22 de maio na British Journal of Cancer, um dos periódicos mais importantes da área de oncologia, a partir de dados obtidos na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

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O estudo é pioneiro na demonstração da potencial contribuição da atividade física durante a adolescência para a redução de adenomas colorretais (principalmente os mais avançados) na vida adulta, relata Leandro Rezende, professor visitante do Departamento de Nutrição da Harvard T.H Chan School of Public Health e pesquisador do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP. Todas as pesquisas realizados até o momento focaram na vida adulta, particularmente após os 40 anos.

A pesquisa foi baseada em dados do Nurses’ Health Study II, uma coorte (estudo de seguimento em longo prazo) de dezenas de milhares de enfermeiras americanas. Incluiu informações de 28.250 mulheres que responderam a um questionário em 1997 sobre fatores de risco e proteção para doenças crônicas, incluindo atividade física, alimentação e obesidade, quando elas eram adolescentes (entre 12 e 22 anos).

Para participar do estudo, as enfermeiras também tiveram que ter realizado ao menos uma sigmoidoscopia ou colonoscopia, exames usados para detectar pólipos no intestino, que, frequentemente, não apresentam sintomas. As participantes foram acompanhadas até 2011 e a probabilidade de desenvolver adenoma colorretal foi comparada segundo a prática de atividade física durante a adolescência.

Segundo os autores do trabalho, os resultados precisam ser replicados em estudos futuros, mas apresentam evidências de que a atividade física durante a adolescência pode reduzir o risco de câncer colorretal, particularmente em estágios iniciais da carcinogênese, o que pode ter implicações importantes para prevenção da doença. Segundo Rezende, embora haja necessidade de se fazer estudos específicos que confirmem esses resultados para o sexo masculino, há indícios de que eles possam também servir como parâmetros para homens que se mantiveram ativos desde a adolescência.

Resultados

As participantes ativas durante a adolescência apresentaram redução de 10% no risco de desenvolver adenoma colorretal comparadas às que praticaram pouca ou nenhuma atividade física. Segundo Rezende, essa associação se mostrou independente de outros fatores de risco para câncer colorretal, incluindo histórico familiar, alimentação (consumo de carne vermelha e carne processada), tabagismo, uso de álcool, dentre outros.

 

Leandro Rezende, pesquisador visitante do Departamento de Nutrição da Harvard T.H Chan School of Public Health e pesquisador do Departamento de Medicina Preventiva da FM – crédito: arquivo pessoal do pesquisador

O estudo apresentou outro resultado bastante animador ao coletar dados de atividade física não apenas durante a adolescência, mas também em toda a fase adulta (dos 23 aos 64 anos de idade), diz o pesquisador. Foi observado menor risco de adenomas em mulheres ativas apenas durante a adolescência (redução de 7% no risco de adenoma), bem como naquelas ativas apenas durante a fase adulta (redução de 9% no risco de adenoma), em comparação às mulheres com baixo nível de atividade física na adolescência e na fase adulta.

No entanto, mulheres que se mantiveram ativas durante toda a vida (adolescência e fase adulta), apresentam redução de 24% no risco de adenomas. Essa redução foi ainda maior, de 39%, para adenomas avançados (aqueles que apresentam mais de 1 centímetro (cm) ou os do subtipo mais agressivo de adenoma, chamado adenoma viloso).

Sobre o câncer colorretal

Ilustração: Indolences / Domínio público via Wikimedia Commons

No mundo, o câncer colorretal é o quarto tipo mais incidente, com 19,7 casos para cada 100 mil habitantes. Fica atrás apenas dos de pulmão, mama e próstata. É também o terceiro tipo de câncer com maior mortalidade, ou seja, dez mortes para cada 100 mil habitantes ou 880.792 mortes por ano, atrás dos de pulmão e mama. Já no Brasil, o câncer colorretal é o terceiro mais incidente, com 19,6 casos para cada 100 mil, atrás dos de próstata e de mama, e o quarto com maior mortalidade, nove mortes para cada 100 mil habitantes, atrás dos de próstata, mama e pulmão.

O artigo Physical activity during adolescence and risk of colorectal adenoma later in life: results from the Nurses’ Health Study II, de Leandro Fórnias Machado de Rezende e colaboradores, pode ser lido na British Journal of Cancer. Rezende atuou na universidade americana com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Mais informações: (11) 3061-7285 ou e-mail leandrofmrezende@gmail.com, com Leandro Fórnias Machado de Rezende

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