USP coordena mutirão de saúde em escola fluvial no Rio Madeira

Os escolares serão submetidos a exames oftalmológicos e laboratoriais para detectar doenças como diabetes e dislipidemias

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A Escola Municipal Fluvial Osmarina Melo de Oliveira fica ancorada de modo permanente no Rio Madeira, perto da comunidade do Tapuru (município de Humaitá) e atende escolares do ensino fundamental da região – Foto: Valéria Dias / USP Imagens

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O mês de julho vai ser especial para os alunos da Escola Municipal Fluvial Osmarina Melo de Oliveira, um barco-escola localizado no Rio Madeira, na comunidade do Tapuru, a 200 quilômetros de Humaitá (Amazonas). Entre os dias 16 e 23 de julho de 2018, eles vão receber a visita de uma equipe coordenada pela USP para um mutirão de assistência à saúde que deve atender cerca de 350 escolares.

O objetivo é identificar crianças com problemas oftalmológicos e com risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, obesidade, hipertensão, colesterol alto, entre outras. A iniciativa faz parte de uma parceria técnica de apoio mútuo entre a USP e a prefeitura local –  durante os atendimentos, também serão colhidos dados científicos para ajudar a prefeitura a planejar ações preventivas e de intervenção.

Alunos do último ano de medicina do Centro Universitário São Lucas examinam paciente na Clínica Oftalmológica do ICB5, em Monte Negro, Rondônia, em janeiro de 2017 – Foto: Valéria Dias / USP Imagens

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Os escolares (cerca de 350) serão submetidos a exames oftalmológicos e laboratoriais, incluindo fezes e anemia. Os que apresentarem problemas de visão receberão tratamento e óculos. Serão escolhidos, de modo aleatório, entre os participantes, cerca de 170 alunos (30%) para a realização de exames adicionais com o intuito de identificar a ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis.

“Estamos aproveitando uma ação assistencial para colher dados científicos que possam subsidiar a prefeitura a pensar em ações preventivas e de intervenção nesses escolares”, conta Luis Marcelo Aranha Camargo, professor da USP e coordenador das atividades. Segundo ele, muitos dos fatores de risco surgem na infância e, caso não sejam tomadas medidas preventivas adequadas, podem originar doenças crônicas não transmissíveis na vida adulta.

Aranha Camargo coordena o ICB5, um centro de apoio de ensino, pesquisa e assistência em saúde que o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP mantêm de modo permanente desde 1997 na cidade de Monte Negro, em Rondônia.

O professor Luis Marcelo Aranha Camargo, no Rio Madeira, a bordo da UBS Fluvial Irmã​ Angélica Toneta, durante a II Expedição Humaitá, realizada em setembro de 2017 – Foto: Valéria Dias / USP Imagens

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Além de profissionais da USP e da prefeitura local, o mutirão vai contar com a participação de alunos do último ano de medicina do Centro Universitário São Lucas (UNISL) de Porto Velho; do Instituto da Visão (IPEPO) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); do Centro de Pesquisa em Doenças Tropicais de Rondônia (Cepem); e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Epidemiologia da Amazônia (INCT-EpiAmo).

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Fatores de risco

De acordo com o professor, um estudo preliminar realizado em 2016 em comunidades da região mostrou uma elevada ocorrência de doenças crônicas em adultos. No ano passado, os pesquisadores do ICB5 realizaram uma avaliação de escolares em Monte Negro e encontraram um grande número de crianças e adolescentes com os fatores de risco para o desenvolvimento futuro de doenças crônicas não transmissíveis. Alguns, inclusive, chegaram a ser diagnosticados com obesidade, sedentarismo, intolerância a glicose e dislipidemia (excesso de gordura no sangue). O docente acredita que o mesmo deve estar ocorrendo com os escolares ribeirinhos.

O ICB5, em Monte Negro, Rondônia, conta com uma Clínica Oftalmológica que atende a população da cidade e região. Os equipamentos serão levados até a Escola Fluvial para atendimento dos escolares – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

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Aranha Camargo cita a genética e os fatores comportamentais e ambientais como motivadores desse quadro. “Quando os pais têm diabetes ou outras doenças crônicas não transmissíveis, os filhos apresentam chances maiores de desenvolver essas doenças. O sedentarismo e a alimentação inadequada também colaboram”, explica.

Ele conta que nas comunidades ribeirinhas a alimentação é muito deficiente. Geralmente as famílias não tem luz elétrica e a conservação dos alimentos fica prejudicada. Por isso, há uma preferência por produtos ricos em sódio (peixe e carne salgados, embutidos e enlatados) e em carboidratos, como as massas (por não serem perecíveis), além de um baixo consumo de verduras e frutas.

Foto: Valéria Dias / USP Imagens

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UBS Fluvial

Os equipamentos oftalmológicos a serem utilizados no mutirão pertencem à Clinica de Oftalmologia do ICB5, em Monte Negro, e serão transportadas até a Escola Fluvial e instaladas em salas de aula. O transporte será feito por meio terrrestre até Humaita. De lá, a equipe vai navegar pelo Rio Madeira a bordo da Unidade Básica de Saúde Fluvial Irmã Angélica Tonetta, pertencente ao município, até ancorar ao lado da Escola Fluvial, servindo de base aos participantes do mutirão.

Para os adultos, serão disponibilizadas consultas médicas e exames preventivos de câncer de colo do útero, vacinação, diagnóstico de pressão alta, diabetes, colesterol, hanseníase, entre outros.

A UBS Fluvial navega periodicamente pelo Rio Madeira para realizar atendimento em saúde nas comunidades ribeirinhas da região de Humaitá – Foto: Valéria Dias / USP Imagens

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Sobre a parceria entre a USP e prefeitura de Humaitá, Aranha Camargo conta: “A Universidade presta assessoria, capacitação e assistência em saúde. Em troca, a prefeitura fornece a estrutura para a execução de pesquisas e a possibilidade de treinamento de acadêmicos da área de saúde”.

Veja neste link reportagem do Jornal da USP sobre uma das expedições, realizada em setembro de 2017, e fruto dessa parceria.

Mais informações: e-mail spider@icbusp.org, com o professor Luis Marcelo Aranha Camargo

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