Zika vírus presente em macacos aumenta preocupação de ciclo silvestre

Estudo revela vírus no interior de São Paulo e em Belo Horizonte, complementando pesquisa de 2016 sobre infecção no Ceará

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Um estudo feito por pesquisadores, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), mostrou que macacos que haviam sido mortos a tiros ou pauladas pela população nos municípios de São José do Rio Preto (SP) e de Belo Horizonte (MG) estavam infectados com o vírus zika, o que fez com que adoecessem e ficassem mais vulneráveis ao ataque humano. As agressões ocorreram porque as pessoas suspeitavam que eles estavam com febre amarela. A descoberta indica que existe o potencial de um ciclo silvestre para o zika no Brasil, como acontece com a febre amarela.

A constatação foi feita a partir do trabalho da equipe de pesquisadores da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, da Universidade Federal de Minas Gerais, do Instituto Adolfo Lutz, da Universidade de São Paulo, da Universidade Estadual Paulista, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Dengue e da University of Texas Medical Branch (UTMB). O estudo complementa um outro realizado por pesquisadores do Instituto de Ciência Biomédicas (IBC) da USP, no ano de 2016, em algumas cidades do Ceará. Agora existe uma evidência de que é possível uma epidemia silvestre. Caso isso seja comprovado, efetivamente, o risco de infecção para as pessoas passa ser ainda mais alto e mais difícil o combate de erradicação.

O Jornal da USP No Ar conversou com o professor e pesquisador Paulo Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, além de ter participado do estudo no Ceará em 2016. Zanotto afirma que a notícia é preocupante: “Eventualmente, esse achado mostra que o vírus zika pode fazer o mesmo que o da febre amarela, de adquirir a capacidade de se estabelecer na floresta em primatas. Isso é preocupante, porque cria-se um reservatório animal do vírus”. A morte dos macacos, em ambos os estudos e nos casos de epidemia em São Paulo no começo do ano, chama a atenção: os animais estavam debilitados, o que fazia com que ficassem menos ariscos do que o comum, possibilitando o ataque da população desinformada e temerária. A pesquisa recente descobriu a presença de mosquitos próximos aos locais onde havia macacos mortos. Em cidades próximas de matas, os mosquitos circulam entre a área silvestre e entram em contato com os humanos.

O especialista enxerga, apesar da notícia preocupante, uma possível perspectiva de melhora, por conta de estudos que mostram que o vírus zika no Brasil é diferente. “Ele é pouco diversificado geneticamente. Portanto, uma vacina será efetiva contra ele.” Contudo, é preciso tentar entender a extensão do problema e como serão suas consequências. “Agora é a hora de a gente tentar entender como de fato isso vai afetar nossas vidas”, diz Zanotto. Lembrando que os macacos não transmitem as doenças, eles são vítimas tanto quanto os seres humanos, seja da febre amarela e, agora, do zika vírus também.

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