Vida de pesquisador assemelha-se à vocação sacerdotal

Dedicar-se à ciência no Brasil envolve mais renúncia que gratificação, diz Professor Emérito José de Souza Martins

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Pesquisa – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) premiará, nesta quarta-feita, os pesquisadores e cientistas brasileiros que venham prestando relevante contribuição à ciência e à tecnologia do país. O pesquisador e atual diretor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, professor Vanderlei Salvador Bagnato, receberá o Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2019a maior honraria concedida pela entidade. Na mesma oportunidade, será entregue ao professor José de Souza Martins, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o título de Pesquisador Emérito. A cerimônia de premiação será realizada no Clube Naval, no Rio de Janeiro. O Jornal da USP no Ar conversou com o professor Souza Martins sobre o fazer ciência e a vida do pesquisador no Brasil.

A vida de pesquisador assemelha-se à vocação sacerdotal, comenta Souza Martins. Trata-se de uma dedicação integral à ciência, com mais renúncias que gratificações. “Muitos dos que se dedicaram e se dedicam à ciência, principalmente no Brasil, fizeram e fazem isso por prazer. Pelo prazer da pesquisa.”

As condições para a promoção da ciência e da pesquisa sempre foram adversas no Brasil. No momento, o cenário encaminha-se para uma situação ainda mais crítica. “Todos os dias estamos ouvindo bobagens sobre ciência e pesquisa, ditas por pessoas que têm o dever da responsabilidade”, lamenta o professor, e acrescenta: “Não precisamos de mais um inimigo da ciência e da pesquisa. Que, no fundo, acaba se revelando o próprio governo.”

Mesmo aposentado, o professor José de Souza Martins trabalha 15 horas por dia. Reflexo da dedicação eclesiástica que o pesquisador tem pela ciência. “Tenho pesquisas feitas, trabalhos não traduzidos em livros, ou artigos, para mais cem anos de vida. Espero chegar lá.”

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