Sociedade em Foco #192: Rio Grande do Sul e as políticas públicas para lidar com a emergência extrema e a reconstrução do Estado

Conforme José Luiz Portella, no momento é fundamental a redução dos danos da catástrofe, mas deveria ter sido realizada uma estratégia para prevenção de desastres ambientais

 Publicado: 14/05/2024
Momento Sociedade - USP
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Sociedade em Foco #192: Rio Grande do Sul e as políticas públicas para lidar com a emergência extrema e a reconstrução do Estado
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As fortes chuvas no Estado do Rio Grande do Sul deixaram diversos municípios alagados, além de grande número de mortos e desaparecidos. Segundo José Luiz Portella, doutor em História Econômica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA), ambos da Universidade de São Paulo, o evento demonstrou a grande falta de políticas públicas no País, aliada a um espetáculo de pessoas se aproveitando da situação para aparecer nas redes sociais.

De acordo com o especialista, o governo do Estado e as Prefeituras não deram a devida atenção aos problemas climáticos e não se preveniram adequadamente contra a possibilidade de um desastre natural como esse. Ele explica ainda que essas instituições não gastaram adequadamente o orçamento previsto para riscos naturais e modificaram diversas leis ambientais nos últimos tempos.

O professor reforça que, no momento, o foco principal é o resgate da população e a busca pelos desaparecidos, mas o ideal teria sido uma estratégia para prevenir a catástrofe. “As enchentes anteriores já deveriam ter servido para preparar um plano chamado de plano de prevenção, porque o que está sendo feito agora é um plano de contingência, um plano B. Então, tudo bem, temos que salvar as pessoas agora, mas poderia ter sido feito um plano de prevenção para que, mesmo se não desse para impedir as enchentes, pudesse ter alternativas para atenuar seus efeitos”, conta.

Para José Luiz Portella, os principais culpados pela tragédia são os políticos, que não gastaram corretamente os recursos destinados à prevenção de riscos. Ele acredita, no entanto, que a população de todo o País pode ter um papel preponderante no acompanhamento e na cobrança para que a restauração da cidade e o amparo aos moradores sejam feitos adequadamente.

“Além disso, tem aqueles oportunistas que aproveitam a situação para aparecer no Instagram e no YouTube. Tem muita gente ajudando e isso é bom, mas tem bastante gente também ajudando só para fazer mídia. Claro que é melhor ajudar e fazer mídia do que não ajudar, mas precisamos separar o joio do trigo, pois tem muitas pessoas se aproveitando da situação, como candidatos políticos, quando antes não tiveram uma postura de combate às falhas dos governos”, finaliza.


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