Técnicas com laser auxiliam no tratamento do mau hálito

Hidratação, evitar jejum prolongado e diminuir fatores de estresse podem evitar halitose, diz especialista

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A halitose, denominada popularmente de mau hálito, tem taxas estimadas que variam de 6% a 50% da população e é a terceira razão mais comum para as pessoas buscarem tratamento dentário, após a cárie dentária e a doença periodontal. A halitose é um sinal de que algo no organismo está em desequilíbrio e deve ser identificado e tratado. O uso do laser pode melhorar o fluxo salivar e também através da técnica de terapia fotodinâmica antimicrobiana é possível diminuir o volume dos gases produzidos pelas bactérias que formam a saburra lingual. O Jornal da USP no Ar conversou sobre o assunto com Vera Lúcia Brito, pesquisadora do Laboratório Especial de Laser em Odontologia (Lelo), da Faculdade de Odontologia (FO), e habilitada em laserterapia.

De acordo com a pesquisadora, a halitose é multifatorial e possui mais de 70 causas, não tendo uma única em específico. “Em resumo, as alterações salivares que promovem a saburra lingual (placa branca que está sob a língua) são as principais formadoras desses gases malcheirosos.” Cabe ao dentista identificar qual o motivo e diminuir a formação da saburra e, assim, diminuir a formação de compostos sulfurados voláteis, que é o gás com mau cheiro que incomoda.

Foto: Reto Gerber via Pixabay – CC

Uma boa higiene, com o hábito de escovar os dentes, usar fio dental e higienizar a língua é importante. Mas é essencial “se hidratar bem, beber bastante água, evitar o jejum prolongado, ter uma alimentação equilibrada e diminuir fatores de estresse”, aponta Vera, pois tudo isso favorece a não formação da halitose.

Diferente do que grande parte das pessoas pensa, “o estômago não é culpado: o jejum prolongado favorece a hipoglicemia, e isso sim causa halitose”. Comer quando se está com halitose melhora o hálito, porque o organismo retorna a seu funcionamento normal e diminui a hipoglicemia.

A saliva é responsável por limpar a cavidade bucal, tendo como aspectos de análise a quantidade e qualidade também. Nesse sentido, a maçã é vista como um exemplo que melhora a halitose porque, além de provocar atrito que limpa os dentes, ela força a mastigação por ser rígida. Funciona como “uma fisioterapia para favorecer o funcionamento das glândulas, porque ela tem um pouco de carboidrato que evita a hipoglicemia e promove a mastigação”. A especialista afirma que água também é importante, por ser o substrato da saliva. “O ideal é consumir 35 ml por quilo de peso por dia.”

Vera comenta que estuda halitose há 20 anos e consegue ver uma melhora gradativa na qualidade e em opções de tratamento. “Hoje, a laserterapia [laser de baixa potência] é um coadjuvante fantástico. A gente pode usar o laser para estimular o funcionamento da glândula salivar”, mas ela relembra que não adianta utilizar esse procedimento se não tiver o substrato da água. “E na língua eu tenho um protocolo de utilizar o laser para diminuir a quantidade desses gases, compostos sulfurados voláteis.”

Outro método conjunto ao laser é a terapia fotodinâmica antimicrobiana, que utiliza substância fotossensibilizante para atingir a membrana das bactérias, enquanto o laser ilumina as bactérias. “Já existem pesquisas comprovando a eficiência dessa terapia”, e a proposta atual do Laboratório Especial de Laser em Odontologia é comparar duas substâncias fotossensibilizantes e quantificar o volume dos gases, de modo a “enxergar quais gases cada fotossensibilizante consegue atingir mais”, explica a pesquisadora.

“A gente trabalha para chegar ao ideal, que envolve a quantidade de saliva e a promoção de hábitos ideais, como evitar o jejum prolongado. Mas isso demora, é com o tempo. Enquanto isso, é preciso dar conforto ao paciente”, afirma a especialista. Ela cita que enxaguantes bucais, por exemplo, também são efetivos na redução dessas bactérias.

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