Sofrimento psíquico de estudantes está ligado a mudanças sociais

Pesquisa parte do pressuposto de que o sofrimento apresenta um contexto social mais amplo

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jorusp

Uma pesquisa de pós-doutorado em andamento na Faculdade de Saúde Pública da USP discute o sofrimento mental entre estudantes de graduação e pós-graduação, considerando as mudanças sociais contemporâneas pelas quais passam o Brasil e o mundo. É o estudo Mudanças Sociais, Individualização e o Sofrimento Psíquico entre Estudantes Universitários. As recorrentes notícias sobre adoecimento mental e suicídio entre estudantes universitários trouxe à tona um fenômeno que vem preocupando a comunidade acadêmica e a sociedade em geral há muito tempo. A ideia é promover o debate sobre o tema e agregar pessoas interessadas no diálogo e nos futuros resultados. Para falar sobre o assunto, o Jornal da USP no Ar conversou com Thiago Marques Leão, pós-doutorando do Departamento de Política, Gestão e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP, responsável pela pesquisa.

Ele conta que estuda o tema desde 2014. Desde essa época tenta identificar como as mudanças sociais têm atingido o campo da saúde mental no Brasil. Enquanto realizava tanto seu mestrado quanto seu doutorado, também na Faculdade de Saúde Pública, começou a perceber que alguns colegas e outros estudantes constantemente adoeciam durante sua passagem pela Universidade. “Foi a partir dessa percepção que eu entendi que seria interessante dar continuidade ao estudo, focando especificamente em como o sofrimento se dá no contexto contemporâneo”, explica.

A pesquisa parte do pressuposto de que o sofrimento não é unicamente individual, mas sim que apresenta um contexto social mais amplo. Inicialmente, portanto, o objetivo é identificar quais serviços a Universidade disponibiliza para abordar e tratar o assunto e qual o perfil dos estudantes que chegam a esses serviços. Em seguida, haverá a tentativa de conversar com alunos e professores para caracterizar esse sofrimento. Ele reforça ainda que não se trata apenas de oferecer serviços de cuidado para quem passa por esse sofrimento, já que “podem ter outros aspectos do sofrimento que não passam apenas para a terapia individual”.

O pesquisador defende a ideia da coletivização desses problemas: “Quando focamos exclusivamente no indivíduo, reforçamos a ideia de que ele passa por aquilo sozinho e que ele vai resolver sozinho”. A consequência seria o surgimento de um ambiente de prevenção desse sofrimento. Para ele, o estudante cada vez mais externaliza suas contradições na forma de sofrimento. “O sofrimento é real, mas ele poderia ser articulado de outra forma, se tivessem canais mais coletivos para ele enfrentá-lo.”

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