Secretaria da Cultura deve ganhar com nomeação de Regina Duarte, avalia Carlos Calil

Para cineasta e professor da ECA, principal função da nova secretária será retomar o trabalho das instituições culturais, paradas há um ano

A atriz Regina Duarte assume a Secretaria Especial da Cultura, após a demissão do ex-ministro Roberto Alvim, ao ter imitado o discurso de Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista, na divulgação do  Prêmio Nacional das Artes. A atriz é o quarto nome a assumir a área de cultura desde a posse do presidente Jair Bolsonaro.

O professor Carlos Calil, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, fez algumas reflexões sobre a área da cultura em entrevista ao Jornal da USP no Ar. “Ter alguém da área artística dirigindo uma Secretaria importante, com status de Ministério, é uma prova de distensão desse governo, tão agressivo a pautas de cultura e dos direitos humanos. A Regina Duarte é maior que o Ministério, assim como foi Gilberto Gil. O governo ganha muito com a ida dela para ocupar esse cargo”, comenta o cineasta.

Para Calil, que já foi secretário municipal de Cultura de São Paulo e dirigiu instituições como a Cinemateca Brasileira, embora Regina Duarte seja uma atriz consagrada, tem muito a perder, inclusive dinheiro, ao aceitar o Ministério. Ainda segundo ele,  aparentemente não há nenhum traço reacionário na fala da atriz. “Tudo leva a crer que ela é conservadora, e não reacionária. A diferença é muito grande. O professor ressalta que a classe artística vai ganhar muito com essa nomeação, porque terá nela uma interlocutora que jamais ofenderia uma parceira.

O governo Collor chegou com muito mais violência do que o governo Bolsonaro, extinguindo todos os órgãos de cultura, lembra Calil. “A principal função da Regina Duarte é retomar o trabalho rotineiro das instituições culturais no País, que estão paradas há um ano, por guerra ideológica e incompetência.”

Ouça no player acima a íntegra da entrevista.


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