Nova classificação inclui compulsão por sexo como distúrbio mental

Médico explica que tratamento do transtorno consiste em medicamentos juntamente ao acompanhamento psicoterápico

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou oficialmente que, pela Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, a compulsão por sexo é um distúrbio de saúde mental. Também conhecido como conduta sexual compulsiva, o problema faz a pessoa falhar em controlar suas necessidades sexuais, negligenciando sua saúde. Para falar sobre a nova resolução, o Jornal da USP no Ar escutou o médico Marco Scanavino, coordenador do Ambulatório de Impulso Sexual Excessivo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

O especialista comenta que, desde 2013, muitos estudos em fisiopatologia, neurociência, aspectos neurobiológicos e outras áreas contribuíram para diagnosticar a condição como um distúrbio mental. Ele avalia que a inclusão na classificação da OMS foi um avanço, pois é um documento respeitado pelos profissionais, o que permite a maior atenção em conhecer, identificar e tratar o transtorno.

O tratamento consiste em medicamentos antidepressivos inibidores de serotonina. São utilizados esses compostos, pois, segundo o médico, cerca de 70% dos pacientes viciados em sexo também apresentam ansiedade e depressão, sendo ambos os quadros tratados. Porém, para que a resposta das pessoas seja melhor, a psicoterapia precisa estar envolvida no tratamento, afirma Scanavino. Além disso, o médico garante que o tratamento tem resultados positivos e conta que, nos últimos anos, a procura por ajuda se intensificou, com chances de aumentar ainda mais depois da inclusão pela OMS.

Os pacientes que apresentam vício em sexo podem ter diferentes manifestações: o comportamento solitário, que apresenta maior consumo de pornografia e atividade masturbatória; e aquele com foco em busca por parceiros, com maior risco de exposição a Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), explica o especialista. Ele ainda ressalta que o comportamento sexual compulsivo pode prejudicar o cotidiano das pessoas, além de poder estar relacionado ao abuso sexual na infância e vida adulta e às DSTs, algo importante em termos de saúde pública.

Para aqueles que desejam procurar ajuda, basta enviar um e-mail para ise.ipq.hc@gmail.com ou se informar no site Compulsão Sexual.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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