Monitoramento de mídias sociais analisa o debate político para identificar condutas de autoritarismo

Especialistas do Núcleo de Estudo da Violência recomendam atenção às narrativas e veracidade do conteúdo recebido durante o processo eleitoral

 08/08/2022 - Publicado há 2 meses  Atualizado: 09/08/2022 as 13:53

 

“Veículos importantes, já consagrados da grande imprensa, trazem uma abordagem que desacredita pesquisas eleitorais“, analisa Natasha Bachini – Foto: Gerd Altmann por Pixabay

 

Diante da aproximação das campanhas eleitorais de 2022, a repercussão dos debates políticos ganhou destaque nas plataformas digitais. O Núcleo de Estudos da Violência (NEV) realizou um monitoramento para observar a consolidação desses meios de comunicação política, identificar e compreender condutas favoráveis ao autoritarismo e à ruptura do processo democrático. As mídias sociais selecionadas para análise foram o Facebook, Instagram, TikTok, Twitter e YouTube, objeto de estudo no primeiro boletim do NEV.

Pablo Almada – Foto: nev.prp.usp

Para o monitoramento do engajamento, os pesquisadores analisaram os principais canais e atores do tema. “Aquele conteúdo é replicado em muitas outras plataformas e outras mídias sociais. Então, nesse caso, vale a pena pensarmos um pouco desse peso que têm as mídias sociais”, aponta Pablo Almada, pós-doutorando e pesquisador responsável pelo monitoramento. No YouTube, os vídeos do processo eleitoral estão concentrados na categoria de Notícias e Política, com expressividade nas visualizações do canal Justiça Eleitoral que se aproxima dos 3 milhões.

A maioria dos vídeos sobre as eleições são produzidos por agências de jornalismo e comunicação e a mídia tradicional é responsável por cerca de 70% desse conteúdo. Porém, o pesquisador explica que o público não se restringe a esses veículos: “Têm segmentos de canais de humoristas que também produziram conteúdos sobre as eleições de 2022”, comenta ele. A pluralização de atores na discussão política é vista no canal do humorista Danilo Gentili, que ultrapassa 1,6 milhão de visualizações, segundo o boletim lançado pelo NEV.

Natasha Bachini – foto: linkedin

Os conteúdos de portais conhecidos também chamam a atenção na observação da rede. “Veículos importantes, já consagrados da grande imprensa, trazem uma abordagem que desacredita pesquisas eleitorais. Até mesmo o resultado das eleições, o conteúdo de um dos vídeos aponta para esse sentido”, analisa Natasha Bachini, pós-doutoranda e pesquisadora do monitoramento.

De acordo com informações  do Boletim Monitoramento Eleições 2022 , do NEV, a CNN, o UOL e a Band Jornalismo somam, juntos, mais de dois terços dos vídeos publicados e atraem seguidores e visualizações. 

Sobre os boletins

O primeiro Boletim de Monitoramento das Eleições Brasileiras de 2022 revelou a ascensão de canais humorísticos e de baixo ou médio porte no debate político. Com o objetivo de analisar os dados relacionados às candidaturas ao Executivo e ao Legislativo federal, o NEV publica relatórios a cada 15 dias. “Na próxima semana, será divulgado um novo relatório sobre as principais hashtags no Instagram relacionadas aos primeiros colocados nas pesquisas da corrida ao Planalto”, declara a pesquisadora.

Foram contabilizados mais de 19 milhões de visualizações, 1 milhão de curtidas e 160 mil comentários de conteúdo eleitoral no boletim do YouTube. Os 434 vídeos estudados foram ranqueados de acordo com essas métricas, sendo nomes como Bolsonaro, Ciro Gomes, Moro e Lula os mais frequentes nos títulos. As pesquisas eleitorais, as repercussões dos pronunciamentos dos candidatos e o título de eleitor aparecem como os assuntos de maior engajamento.


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